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O vice-presidente da Autoridade Palestiniana saudou esta sexta-feira um “passo importante” rumo a uma solução de dois Estados para o conflito no Médio Oriente, após a aprovação de uma declaração na Assembleia-geral da ONU.
“Saúdo a adoção pela Assembleia-geral da ONU da resolução (…) sobre a implementação da solução de dois Estados e o estabelecimento de um Estado Palestiniano independente”, afirmou Hussein al-Sheikh na rede social X.
أرحب باعتماد الجمعية العامة للأمم المتحدة لمشروع القرار المؤيد لإعلان نيويورك بشأن تنفيذ حل الدولتين وإقامة دولة فلسطينية مستقلة. إن هذا القرار يعبر عن الإرادة الدولية الداعمة لحقوق شعبنا، ويشكل خطوة مهمة نحو إنهاء الاحتلال وتجسيد دولتنا المستقلة على خطوط عام 1967 وعاصمتها القدس…
— حسين الشيخ Hussein Al Sheikh (@HusseinSheikhpl) September 12, 2025
A chamada Declaração de Nova Iorque foi aprovada por larga maioria e visa fortalecer a solução de dois Estados, com Israel e Palestina lado a lado, e excluindo o grupo extremista Hamas, que governa na Faixa de Gaza.
“Esta resolução expressa a vontade internacional em favor dos direitos do nosso povo e constitui um passo importante para o fim da ocupação e o estabelecimento do nosso Estado independente nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como a capital”, acrescentou o líder palestiniano, referindo-se ao período anterior à expansão israelita na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
O texto, preparado por França e Arábia Saudita, foi aprovado com 142 votos a favor, incluindo Portugal, e 10 contra, num pequeno grupo de países que integra Israel, Estados Unidos, Argentina e Hungria. Doze outros estados abstiveram-se.
Israel condenou a aprovação da declaração, numa reação do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Oren Marmorstein, na rede social X, na qual criticou uma “decisão vergonhosa”, que mostra uma organização transformada num “circo político alheio à realidade” e uma declaração que considerou ser um incentivo ao Hamas para prosseguir a guerra na Faixa de Gaza.
Israel utterly rejects the decision of the UN General Assembly this evening.
Once again, it has been proven how much the General Assembly is a political circus detached from reality: in the dozens of clauses of the declaration endorsed by this resolution, there is not a single… pic.twitter.com/UAT2VaAysi
— Oren Marmorstein (@OrenMarmorstein) September 12, 2025
Previamente aprovada em julho durante uma reunião sem a presença de representantes israelitas ou norte-americanos, a declaração defende medidas “tangíveis e irreversíveis” no sentido de uma solução política, com ações concretas o mais breve possível para alcançar um Estado palestiniano “independente, soberano, economicamente viável e democrático”.
“Condenamos os ataques perpetrados a 7 de outubro pelo Hamas contra civis”, afirma a declaração aprovada, a propósito dos massacres conduzidos pelas milícias palestinianas em 2023 no sul de Israel, onde foram mortas 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
O texto adverte o grupo islamita que “deve libertar todos os reféns” ainda na sua posse, num total estimado de 48, dos quais 20 ainda estarão vivos, e afasta-o de uma solução para o futuro do enclave.
“No contexto do fim da guerra em Gaza, o Hamas deve cessar o exercício da autoridade sobre a Faixa de Gaza e entregar as armas à Autoridade Palestiniana, com o apoio e a colaboração da comunidade internacional, em conformidade com o objetivo de um Estado da Palestina soberano e independente”, declara.
De acordo com uma fonte da presidência francesa citada pela agência de notícias France-Presse (AFP), esta declaração deve ser vista como a base para a reunião que Paris e Riade vão copresidir este mês em Nova Iorque, na qual o Presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu reconhecer o Estado Palestiniano.
Portugal e outros países, como Canadá e Austrália, também se preparam para reconhecer o Estado Palestiniano no final deste mês, enquanto o Reino Unido indicou que também o fará se Israel não tomar medidas que conduzam ao fim do conflito na Faixa de Gaza.
Visando um futuro cessar-fogo, o texto menciona ainda o envio de uma “missão internacional temporária de estabilização” para o território, sob mandato do Conselho de Segurança da ONU, com o objetivo de proteger a população, apoiar a capacitação do Estado palestiniano e proporcionar “garantias de segurança à Palestina e a Israel”.
Cerca de três quartos dos 193 Estados-membros da ONU já reconhecem o Estado palestiniano proclamado pela liderança palestiniana no exílio, em 1988.
No entanto, após quase dois anos de guerra na Faixa de Gaza, acompanhada pela expansão dos colonatos judaicos na Cisjordânia e planos sobre anexação dos territórios palestinianos, crescem os receios de que a criação de um Estado seja inviável.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, avisou que “não haverá Estado palestiniano” e que os territórios em discussão pertencem a Israel.
Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, já anunciaram que o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, não terá permissão para visitar Nova Iorque durante a sessão de alto nível da Assembleia-geral da ONU.
O conflito na Faixa de Gaza já provocou mais de 64 mil mortos, na maioria civis, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, e um desastre humanitário sem precedentes na região.
A ONU declarou a região da Cidade de Gaza como em situação de fome, quando Israel tem em marcha um plano militar para ocupar a capital do território e expulsar centenas de milhares de habitantes, e que prevê o desarmamento do Hamas e a recuperação dos reféns antes de entregar o enclave a uma gestão civil não hostil a Telavive.