Leia este artigo em direto que acompanhará todas as notícias desta segunda-feira, véspera do arranque da campanha autárquica.

Com confiança no resultado do PS, mas sem responsabilidade pelo desfecho final. É assim que José Luís Carneiro vai a votos nas eleições autárquicas de 12 de outubro. Para o líder político, uma derrota do partido “nunca será, como é evidente, uma derrota do secretário-geral do PS”. “Será, naturalmente, uma derrota de valores e de princípios que defendemos”, disse numa entrevista ao ECO publicada esta segunda-feira, véspera do arranque da campanha oficial para a corrida às câmaras municipais.

“Se o PS não lograsse vencer as eleições, seria uma derrota da qualidade da nossa democracia e da qualidade do futuro das nossas comunidades locais. Nós temos provas dadas nas políticas públicas. Quando digo nós, os autarcas que servem o PS até hoje”.

Apesar de descartar responsabilidades em caso de derrota, o secretário-geral do PS mostra-se confiante numa vitória. “Entendo pelos dados que possuo que vamos ter uma vitória nas eleições autárquicas. Vamos ser capazes de ganhar mais câmaras, de ganharmos mais Assembleias Municipais e de ganharmos mais autarquias e freguesias. Essa é a minha firme expectativa”.

Esta vitória será suficiente para conseguir revalidar a liderança na Associação Nacional de Municípios — que pode ser definida pelo “grupo de candidatos independentes”, que tanto podem ajudar PS ou PSD —, que pertence à autarca de Matosinhos. “Julgo que todos reconhecem que tem havido um grande equilíbrio na forma como se tem gerido a ANMP com a presidente Luísa Salgueiro. O mesmo aconteceu na Associação Nacional de Freguesias, porque foi neste mandato autárquico em que assistimos a um dos maiores movimentos de transferência de competências para os municípios”.

Nesse sentido, o socialista assume novamente os compromissos do partido em matérias que transparecem a “vontade reformista na liderança do PS”. “Se vier a ser primeiro-ministro bater-me-ei por uma nova lei das finanças locais que seja capaz de contribuir para uma maior coesão territorial, económica e social. (…) Já me comprometi também em trabalhar e estar disponível para uma reforma do modelo de modelo de eleição para as autarquias locais”.

“Há mais de 63 mil candidatas e candidatos do PS em todo o País. É evidente que há falhas, com certeza, mas aquilo que queria garantir é que são candidaturas que dão garantias de confiança às pessoas. (…) Não estou com uma atitude de sobranceria”, apela.

Carneiro aponta o dedo a alterações laborais e promete PS “construtivo” a debater Orçamento do Estado

Na entrevista ao ECO, José Luís Carneiro também abordou a votação do Orçamento do Estado — que entra na Assembleia da República a 10 de outubro, ainda antes das autárquicas, e é votado a 27 de novembro — e voltou a criticar as sugestões do Governo para uma nova lei laboral.

“Não pode o Orçamento do Estado ter normas que deem suporte para alterações políticas substantivas em matérias que deem suporte para alterações políticas substantivas em matérias que consideramos essenciais à vida das pessoas. Uma delas tem a ver com as leis laborais”.

Proposta do Governo. Orçamento do Estado 2026 com votação final global a 27 de novembro

Além de acusar o Governo de discutir publicamente “propostas que nunca levou à discussão em sede de programa eleitoral”, Carneiro rejeitou “normas orçamentais que possam abrir as portas à revisão da Lei de Bases da Saúde” e “questões relacionadas com a Segurança Social e a sua eventual abertura à privatização”.

“A primeira dimensão que exige uma resposta da parte do Governo em relação ao Orçamento do Estado é o Governo garantir que o Orçamento não é um suporte às alterações de política que são essenciais à vida das portuguesas e à vida dos portugueses”. Para “contribuir para a estabilidade do País”, Carneiro promete um PS “responsável, construtivo e propositivo”, motivo pelo qual apresentou várias “condições”, e não linhas vermelhas, para “viabilizar o Orçamento”, disse, sem adiantar a posição do partido.

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“Se calhar temos que falar mais baixo”. Carneiro explica liderança e diz que ainda não falou com Pedro Nuno Santos sobre OE

Questionado sobre a sua posição estratégica e as suas diferenças em relação a Pedro Nuno Santos, o atual secretário-geral disse que ainda não falou com o seu antecessor sobre o Orçamento do Estado, “mas também” ainda não falou “com outros deputados”, à exceção do “líder da bancada parlamentar” e alguns “elementos da direção da bancada”.

“Se calhar temos que falar um pouco mais baixo para podermos ser mais ouvidos. Os indicadores a que temos acesso, e são de várias fontes, mostram que há um reposicionamento muito importante do PS nos setores mais moderados e do grande centro político democrático e social e que isto está a fazer com que o PS esteja a crescer de forma sustentada. O melhor crescimento é aquele que se faz de forma sustentada e não aquele que sobe a pico e desce a pico”, assumiu sobre o seu estilo de liderança.

Depois do encontro com o primeiro-ministro, o líder socialista disse que não ficou agendado mais nenhum encontro e empurrou para o Governo a responsabilidade de escolher os parceiros políticos para negociar medidas. “É uma escolha que compete ao primeiro-ministro. Disse-lhe precisamente que tinha de fazer essa opção. Sabemos qual é a nossa posição no quadro democrático, no quadro das instituições e no quadro da sociedade portuguesa desde 1974 até hoje”.

“Coloquei as condições ao senhor primeiro-ministro e ele tem de fazer uma opção, mas essa opção só ele é que pode fazer, não sou eu”.