O candidato independente João Maria Jonet à Câmara de Cascais defendeu esta quinta-feira o fim dos “vícios naturais” de muito tempo no poder da maioria PSD/CDS-PP e disse querer habitação a preços muito abaixo dos “custos moderados” do governo.
“Cascais infelizmente tem a mesma maioria há muito tempo, tem uns vícios naturais de muito tempo no poder, tem associações que têm medo, tem pessoas que têm medo, às vezes medo de dar a cara, às vezes medo de aparecer numa fotografia. Nós queremos acabar com isso e queremos ganhar”, afirmou João Maria Jonet, em declarações à Lusa.
O consultor político falava na Praça 5 de Outubro, em frente aos Paços do Concelho e da estátua de D. Pedro I, após uma arruada pelo centro da vila, acompanhado dos candidatos da lista independente Jonet — Cascais para Viver à câmara, Assembleia Municipal e juntas de freguesia.
A comitiva de meia centena de apoiantes, com camisolas e bandeiras laranja do movimento, subiu a Avenida Valbom e desceu a Rua Frederico Arouca, mais conhecida como Rua Direita, na zona histórica da vila, sempre debaixo de palavras de ordem, como “Cascais alerta, chegou a escolha certa” ou “Cascais prá frente, Jonet a presidente”.
O também comentador televisivo foi cumprimentando as pessoas, enquanto perguntava se votava no concelho e entregava um folheto da candidatura nas respostas positivas, afirmando-se como uma “alternativa independente”.
À porta de uma loja de roupa, com vista nas traseiras para a baía de Cascais, a conversa com a proprietária passou pela substituição do comércio tradicional e pela crise da habitação, principalmente para as gerações mais novas, com Jonet a prometer casas para a “classe média” e “a custos controlados”.
Numa loja de vinhos, a queixa de quem nasceu e cresceu ali sobre o facto de a rua estar “numa vergonha” mereceu do ex-militante social-democrata, que se desfiliou do PSD para concorrer como independente, a recusa de que aquela zona histórica se transforme “numa Albufeira”.
Mais tarde, Jonet explicou à Lusa que a habitação a construir “não é a custos moderados”, serão de “300 a 800 euros, não são 2.300 euros, é bom que isso fique claro”, em oposição aos valores propostos pelo Governo, numa nova definição para a construção de casas para a classe média, num valor muito acima do poder de compra nacional.
Nos seus projetos, acrescentou, “já existe um plano de pormenor para a zona de Tires, [com] 3.500 fogos, mais 1.500 para a Adroana”, tendo o seu “candidato para a área do urbanismo” sido diretor do Urbanismo da Câmara de Cascais durante oito anos.
“Ele não aprovou o plano da Quinta dos Ingleses, antes pelo contrário, demitiu-se por causa” do polémico empreendimento em Carcavelos, acrescentou.
No fim da arruada, João Maria Jonet agradeceu a presença dos apoiantes, por darem “um importante sinal de democracia” à sua terra, numa lista com 172 candidatos que não são pagos para estar ali, uma diferença “democraticamente muito importante”.
Embora o objetivo e ambição passem por vencer, João Maria Jonet admitiu “ficar no mínimo em segundo”.
Mas, “com 20% de indecisos e com o voto declarado na coligação existente em 26%” ainda “é possível”, acrescentou, assegurando que não fará “qualquer tipo de acordo de coligação com o Viva Cascais”, que junta PSD e CDS-PP, e que se não ganhar fará “a oposição que Cascais não tem há anos”.
O executivo de Cascais, no distrito de Lisboa, é composto por sete eleitos da coligação Viva Cascais (PSD/CDS-PP), três da coligação Todos por Cascais (PS/PAN/Livre) e um do Chega.
Nas eleições autárquicas de 12 de outubro, concorrem Nuno Piteira Lopes (PSD/CDS-PP), João Ruivo (PS), Alexandre Abreu (BE/Livre/PAN), João Rodrigues dos Santos (Chega), Carlos Rabaçal (CDU), Manuel Simões de Almeida (IL), Fábio Pereira (ADN), João Maria Jonet (independente) e António Pinto Pereira (independente, com apoio da Nova Direita e Nós, Cidadãos!).