O Banco de Portugal reviu em alta, nesta terça-feira, a projeção do crescimento económico para 2025 – de 1,6% para 1,9% –, com a economia a crescer, cada vez mais, à boleia do consumo privado. Só a previsão de crescimento de 2025 é que foi revista, já que para 2026 e 2027 as projeções mantiveram-se inalteradas – em 2,2% e 1,7%, respetivamente.
A principal razão para a mudança relativa a 2025 está ligada à publicação, há poucos dias, das contas nacionais trimestrais pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Os dados atualizados (sobre o volume do produto e o deflator do PIB), ao serem incorporados nas estimativas do Banco de Portugal, foram determinantes para calcular este crescimento de 1,9%. Também o crescimento de 2024 foi alterado, passando de 1,9% para 2,1%.
Além da revisão dos dados do INE, também tiveram algum impacto na projeção de 2025 a atualização de outros dados utilizados pelo Banco de Portugal e as iniciativas políticas como as alterações no IRS (que foram refletidas nos salários em agosto e setembro).
O crescimento económico em 2025 está, de acordo com os dados do Banco de Portugal, muito assente na evolução do consumo privado – que em junho se estimava ter um crescimento de 2,2% e agora passou para um aumento de 3,3%. O consumo privado representa, nesta altura, cerca de 61% da geração de riqueza em Portugal.
Em sentido contrário, as exportações em 2025 passam a crescer apenas 1,1%, quando em junho se previa um aumento de 1,7%.
FONTE: Banco de Portugal
Este boletim económico de outubro não contém uma atualização sobre as previsões orçamentais – já que isso acontece apenas nos boletins de dezembro e de junho. Ou seja, mantém-se válida a previsão de um défice de 0,1% das contas públicas, que Mário Centeno apontou em junho.
Nesta segunda-feira, Mário Centeno foi substituído por Álvaro Santos Pereira e desta vez, excecionalmente, o boletim económico trimestral foi apresentado sem conferência de imprensa – algo que só deverá ser retomado, já com Santos Pereira, em dezembro.
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