O candidato da Iniciativa Liberal (IL) à Câmara de Loures nas eleições autárquicas, Luís Martins, defendeu esta terça-feira uma aposta na ferrovia e criticou o projeto da nova linha de metro, que considerou “uma solução do século XIX”.

“Em 1890, em Londres, o metro já transportava 240 passageiros. Se este for semelhante ao do Porto, aumentamos apenas para 256 passageiros. Em mais de 100 anos eu acho que são ganhos mínimos”, afirmou o candidato liberal, em declarações à agência Lusa.

Além de considerar o modelo proposto para a futura linha Violeta do metropolitano, que ligará os concelhos de Loures e Odivelas, “ultrapassado e ineficiente”, Luís Martins criticou também o aumento do custo estimado da obra.

“Aquilo foi feito em cima do joelho porque, inicialmente, falavam em 250 milhões e agora está em mais de 600. Portanto, não houve uma avaliação correta do que era para ser feito”, apontou.

A Linha Violeta, com 11,5 quilómetros de extensão, contempla 17 estações: nove no concelho de Loures (que servirão as freguesias de Loures, Santo António dos Cavaleiros e Frielas, numa extensão de cerca de 6,4 quilómetros) e oito no concelho de Odivelas (para servir as freguesias de Póvoa de Santo Adrião e Olival de Basto, Odivelas, Ramada e Caneças), numa extensão total de cerca de 5,1 quilómetros.

Este investimento enquadra-se no âmbito da concretização do plano de expansão da rede do Metropolitano de Lisboa e tem conclusão prevista para o ano de 2029.

O primeiro concurso público referente à empreitada da Linha Violeta foi lançado em 15 de março de 2024 e resultou na exclusão de todas as propostas apresentadas pelos operadores económicos, por excederem o preço base do concurso, em média cerca de 46%.

Em alternativa à linha Violeta, o candidato da IL à Câmara de Loures defendeu a implementação do Plano Ferroviário Nacional, com uma ligação entre a linha de cintura e a zona Oeste, passando pelo Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL).

O candidato defendeu também o aumento da capacidade da Linha do Norte, “pelo menos até ao Carregado”, permitindo “aumentar a frequência dos comboios e servir melhor as populações de Sacavém, Moscavide, Bobadela e Póvoa de Santa Iria”.

Na vertente da mobilidade leve, Luís Martins propôs a reformulação da rede de ciclovias, defendendo percursos “mais diretos e funcionais”.

Concorrem à presidência da Câmara Municipal de Loures nas eleições autárquicas de domingo o atual presidente, Ricardo Leão (PS), Gonçalo Caroço (CDU), Nélson Batista (PSD), Bruno Nunes (Chega), Luís de Sousa (Coligação Livre/BE/PAN), Isabel Elias (MPT), Luís Martins (IL) e João Gomes (ADN).

O atual executivo de Loures é composto por quatro eleitos do PS, incluindo o presidente, quatro da CDU, dois do PSD e um do Chega. A Assembleia Municipal é liderada pelo PS, também sem maioria absoluta.