O Papa Leão XIV pediu aos bispos dos Estados Unidos de visita ao Vaticano para abordarem “com firmeza” a questão do tratamento dos imigrantes nos EUA, face à política de controlo que tem sido aplicada pelo Presidente do país, Donald Trump.
O bispo da cidade do Texas de El Paso, Mark Seitz, disse à Reuters que Leão “está pessoalmente muito preocupado” com os assuntos ligados ao tratamento das pessoas que imigraram para os Estados Unidos e tinha expressado aos bispos para que “a Conferência Episcopal dos Estados Unidos se pronunciasse com firmeza sobre essa questão“.
À Associated Press, Seitz, que lidera o comité da conferência episcopal para as migrações, contou ter mostrado um vídeo e levado cartas de imigrantes, relatando o medo de serem encontrados e deportados pelas autoridades anti-imigração, especialmente o Serviço de Imigração e Alfândega, conhecido pela sigla inglesa ICE.
“Eles não podem sair. Têm medo de fazer compras, de ir à igreja e, por isso, ficam em casa”, lê-se numa carta mostrada a Leão XIV escrita por Maria, cidadã da Guatemala com estatuto de asilo nos EUA, sobre familiares seus que não têm o mesmo estatuto.
“O Papa precisa de falar com Trump e pedir-lhe que pense no que está a fazer aos imigrantes”, exortou ainda Maria. “O Papa precisa de implorar a Trump e ele precisa de ouvi-lo. Trump tem de mudar o que está a fazer“.
Segundo Seitz, Leão XIV agradeceu-lhes pelo “empenho em prol dos imigrantes“, acrescentando esperar “que a conferência episcopal se pronuncie sobre esta questão”.
“Mais tarde, na reunião, ele disse: ‘Estarei ao vosso lado‘, então foi uma bela conversa”, revelou ainda o bispo que, apesar de não se querer meter na “luta política”, disse à AP sentir ter de ensinar a mensagem do Evangelho, que reconhece a dignidade inerente a “todos os filhos de Deus”.
“Eles estão aterrorizados. E é um medo que tem um impacto a longo prazo nas pessoas, nas suas vidas”, apontou ainda.
Questionado pela Reuters, o Vaticano ainda não comentou a reunião do Papa com os bispos norte-americanos.