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Montenegro nacionaliza corrida de Lisboa e pede "maioria absoluta" para Moedas

Este artigo tem mais de 6 meses

Primeiro-ministro apareceu ao lado do candidato para elevar a fasquia e pedir "maioria absoluta" para Moedas — algo que o próprio nunca fIzer até aqui. "Escolha de uma geração", dramatizou o autarca.

Montenegro e Moedas no penúltimo dia de campanha por Lisboa
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▲Montenegro e Moedas no penúltimo dia de campanha por Lisboa

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Montenegro e Moedas no penúltimo dia de campanha por Lisboa

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Sem qualquer margem para segundas ou terceiras interpretações. No penúltimo dia de campanha eleitoral, Luís Montenegro apareceu ao lado de Carlos Moedas a pedir claramente a maioria absoluta para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Meta eleitoral com que, apesar da insistência dos jornalistas, o candidato social-democrata nunca se quis comprometer ao longo destes 15 dias — Moedas limitou-se a pedir mais condições de governabilidade e chegou mesmo a dizer ao Observador que era “uma arrogância estar-se a pedir uma maioria absoluta”. “Nunca pedi, nem nunca pediria uma maioria absoluta.”

Montenegro tinha outros planos para Moedas e acabou por elevar (e muito) a fasquia para o candidato social-democrata. Depois desta noite, e perante uma casa cheia no Técnico Innovation Center, a pressão para Moedas aumentou — e muito. Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro fez questão de nacionalizar esta corrida à Câmara Municipal de Lisboa, emprestando a popularidade do Governo da AD (como tem feito ao longo de todo o país) e associando-se diretamente ao resultado que o autarca venha a ter na capital do país.

“Esta candidatura é obviamente para gerir o território de Lisboa. Mas não há como dizê-lo de outra maneira: Lisboa é diferente, é especial. É a capital. Isso implica ter à frente da Câmara alguém que se projeta para lá da importantíssima tarefa que é gerir Lisboa. Uma Lisboa de excelência é bom para o país, para Europa e para o Mundo. [Carlos Moedas] é um autarca de excelência”, começou por dizer Luís Montenegro.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Já depois de ter elencado todas as medidas adotadas ou previstas pelo Governo em matéria de Habitação, Segurança ou Imigração, por exemplo, Montenegro tentou provar que há um total alinhamento entre as prioridades do Executivo e de Carlos Moedas e que será melhor para todos que essa “parceria” continue por mais quatro anos. “Carlos Moedas, Portugal está de olho em ti. Lisboa é farol de inspiração. Lisboa não pode desperdiçar a oportunidade de continuar a inspirar Portugal. Lisboa precisa de ti. Portugal precisa de ti na Câmara Municipal”, despediu-se Montenegro.

Há um dado objetivamente curioso no comício desta noite. Durante algum tempo, e sobretudo numa altura em que Luís Montenegro parecia ter em risco o lugar de presidente do PSD, muito se especulou sobre a hipótese de Carlos Moedas se intrometer na luta pela liderança do partido. Não foi isso que aconteceu. António Costa caiu antes do tempo, Carlos Moedas manteve-se à frente da Câmara Municipal de Lisboa e luta agora pela recandidautra.

Os destinos políticos de ambos estão ligados há muito, como voltou a recordar Carlos Moedas. Era o social-democrata administrador executivo da Fundação Gulbenkian quando Montenegro o convidou para almoçar e o incentivou a avançar com uma candidatura à Câmara Municipal de Lisboa — convite que Rui Rio iria concretizar. Esta noite, no penúltimo dia de campanha eleitoral e quase em jeito de conclusão de um ciclo, Montenegro, nas suas primeiras autárquicas à frente da campanha, apareceu ao lado de Moedas para lhe emprestar capital político. Estava cumprido o ciclo.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Moedas: “É a escolha de uma geração. Entre a moderação e o caos”

Coube ao anfitrião e presidente da Câmara Municipal de lisboa abri as hostilidades. “Tem sido uma jornada extraordinária. Dei tudo o que tinha. Dei alma e coração”, começou por dizer Carlos Moedas. “Estou confiante de que estaremos mais quatro anos juntos, porque confio nos lisboetas. Confio na lucidez dos lisboetas. E não esqueço aquela noite de há quatro anos em que os lisboetas disseram não ao PS. Não ao socialismo”, atirou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Repetindo, no essencial, os ataques que foi fazendo a Alexandra Leitão ao longo dos últimos 15 dias de campanha — o PS de Lisboa não passa, neste momento, de uma barriga de aluguer do Bloco de Esquerda —, Carlos Moedas voltou a apelar ao voto te todos aqueles que, sendo moderados, não se reveem no projeto de “radicalismo” e de “ódio” encabeçado pela adversária socialista.

“O próximo domingo não se trata só de mais umas eleições. Vamos estar a fazer a escolha de uma vida e de uma geração. O próximo domingo decidirá se queremos moderação ou radicalismo em Lisboa. Esta é a escolha: entre avançar ou voltar atrás; entre a moderação ou o caos; entre quem tem trabalho feito e quem nunca fez nada. Esta escolha está agora nas mãos dos lisboetas. Foram quatro anos em que fizemos muito em minoria. Se não querem voltar ao passado, só há um voto que conta: é em nós. Se os lisboetas confiarem em nós e nos derem melhores condições para governar, garanto-vos: faremos muito, muito mais”, despediu-se Carlos Moedas.

[Há um novo candidato a Belém. Soares fica em choque com o anúncio do amigo que considera irmão. Freitas elege Zenha como principal adversário. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui.]

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