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O poder como afrodisíaco, a luta pela sobrevivência e a afirmação de uma marca. Montenegro, Carneiro e Ventura na estrada

Montenegro, José Luís Carneiro e André Ventura apostam muito nestas autárquicas. PSD com hipóteses de garantir hegemonia. PS acredita no renascimento. E Chega quer provar que a marca é já inevitável

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Um não despe o fato de primeiro-ministro. Outro rodeia-se de senadores enquanto corre a todas as capelinhas. O terceiro mantém a receita que fez dele o líder do maior partido da oposição e tenta suplantar a CDU como a única força que conseguiu verdadeiramente furar a hegemonia de PS e PSD nas autarquias de todo o país. O estatuto de primeiro-ministro como trunfo eleitoral, o instinto de sobrevivência como combustível e a força da marca como garantia de sucesso também vão a votos no próxima noite de domingo.

O Observador acompanhou os líderes dos três maiores partidos durante o fim de semana que lança a segunda e derradeira semana de campanha para as autárquicas de 2025. Umas eleições em que os três partem em circunstâncias absolutamente excecionais: há oito anos que o PSD não era Governo durante umas autárquicas e aposta tudo nessa teórica vantagem; o PS, muito diminuído desde as últimas legislativas e ainda em período de afirmação da nova liderança, procura aqui um balão de oxigénio e um sinal de esperança; o Chega, sem saber exatamente o que 12 de outubro lhe reserva, parte com a certeza absoluta de que será um dos grandes vencedores da noite.

Luís Montenegro, José Luís Carneiro e André Ventura moldaram as suas respetivas voltas nacionais aos vários desafios que enfrentam nestas autárquicas. O social-democrata tenta desempatar o que está renhido. Longe do poder, o socialista rodeia-se de pesos pesados do partido para acrescentar capital político a um partido em dificuldades. E o líder do Chega mantém-se igual a si próprio e à ideia de que estas eleições são mais um passo no sentido de abalar o sistema.

Montenegro fora da zona de conforto com um afrodisíaco especial

Luís Montenegro e Pedro Duarte estão de costas para jornalistas e apoiantes. A partir de um terraço com vista privilegiada para a Avenida dos Aliados, olham diretamente para o edifício da Câmara do Porto e trocam algumas impressões. Conhecem bem a cidade e conhecem-se bem um ao outro. São amigos há quase 40 anos, foram colegas de curso na Faculdade de Direito, ambos alunos de Paulo Rangel, que também assiste à cena. Consta que, entre os dois, Pedro Duarte era melhor aluno e talvez dele se esperasse um papel mais impactante na política nacional. Não aconteceu, mas manteve-se sempre figura muito influente na afirmação de Montenegro, desde os tempos em que este tentava derrubar Rui Rio até ao momento em que se lançou como líder da oposição e, depois, como primeiro-ministro. Agora, de alguma forma, o ciclo fecha-se: é Montenegro quem tenta empurrar o seu antigo ministro para a vitória a 12 de outubro.

Em pouco mais de dez dias, é a segunda vez que o primeiro-ministro aparece no Porto ao lado do candidato. Mais tarde, aos jornalistas, Luís Montenegro assumirá que a candidatura de Pedro Duarte é uma das apostas “mais fortes” do PSD nestas eleições autárquicas. Aliás, Montenegro começou a prepará-la há muito tempo, ainda Pedro Duarte não era formalmente candidato, quando se reuniu com Filipe Araújo para o tentar convencer a não entrar na corrida — a intromissão do independente nas contas da direita e o alegado pacto secreto com o PS de Pizarro tornar-se-iam ‘o’ tema político da corrida ao Porto. Daí para cá, muita água correu e as sondagens continuam a mostrar que tudo está em aberto. Pelo que não há grandes dúvidas: é na Câmara do Porto que o líder social-democrata joga muito do sucesso ou insucesso a sua noite eleitoral — tanto assim é que vai passá-la precisamente no Porto.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O primeiro-ministro está objetivamente empenhado em nacionalizar as próximas eleições e o envolvimento direto na luta pela reconquista da cidade do Porto é o exemplo mais evidente disso. Mas não é caso único. A volta ao país de Montenegro foi assumidamente pensada de maneira a levá-lo aos sítios onde a corrida está mais renhida, mesmo que isso implique fazer centenas de quilómetros, de Sul para Norte e de Norte para Sul, no mesmo dia. Nos dois dias em que o Observador acompanhou a caravana do líder social-democrata, foram percorridos mais de mil quilómetros e, em alguns casos, a velocidades proibitivas — no sábado, arrancou às 17h32 de Guimarães e às 20h30 estava já em Mafra. No dia seguinte, domingo, logo a seguir à cerimónia do 5 de Outubro, Montenegro rumou novamente ao Norte e almoçou na Trofa. Acabaria o dia em Bragança.

Ao contrário do que acontece nas legislativas, em que se privilegiam os grandes centros urbanos, o racional da volta foi afastar Montenegro da zona de conforto, sítios onde a eleição está praticamente ganha, e levar a marca “primeiro-ministro” aos concelhos onde essa presença pode fazer realmente a diferença. É o que explica as passagens por Porto e Guimarães, claro, mas também Chaves, Trofa, Bragança ou, como aconteceu na sexta-feira, Valongo Lousada, Paços de Ferreira e Gondomar. Existe a convicção de que o fato de chefe do Governo, que Montenegro, com ou sem gravata, verdadeiramente nunca despe, pode ser aquilo que separa a derrota da vitória.

É a primeira vez em oito anos que o PSD está no poder enquanto disputa eleições autárquicas. A última vez tinha acontecido em 2013 e em condições muito atípicas — em plena troika, Pedro Passos Coelho e os sociais-democratas foram particularmente castigados nas urnas. Agora, o clima é diferente e isso nota-se. “Já viste o primeiro-ministro? É tão jeitoso“, sussurra uma flaviense à amiga pouco depois de ver a caravana passar. Foi assim em Chaves e foi assim, de uma forma ou de outra, por todos os sítios por onde Montenegro passou. O poder e o estatuto de primeiro-ministro são um afrodisíaco político especial. Hugo Soares e Sebastião Bugalho, que fizeram as vezes de Montenegro na ausência deste, podem ser bons; mas um primeiro-ministro é um primeiro-ministro.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

No terreno, os candidatos mimetizam a campanha vitoriosa das últimas legislativas. Em Guimarães, adapta-se, com alguma criatividade fonética à mistura, o hino “Deixem o Luís Trabalhar“. Na Trofa, ouviu-se o grito de guerra “já não pára” que marcou as últimas duas corridas de Montenegro. O próprio líder social-democrata alimenta essa ideia de proximidade dos candidatos ao poder central. Nunca o diz abertamente, até porque politicamente não deve nem pode, mas vai sugerindo várias vezes que é melhor para todos que as Câmaras continuem a ser ou se tornem do PSD.

“Precisamos de parceiros competentes, com a mesma filosofia, com a mesma vontade e com a mesma garra que nós temos”, chegou a dizer Montenegro no almoço-comício da Trofa. Na véspera, em Chaves, tinha dito algo de muito semelhante: “O Governo trabalhará com todos de igual forma. [Mas] nem todos os autarcas correspondem com a mesma diligência àquelas que são as oportunidades que se abrem pelas políticas da administração central.”

Nas declarações aos jornalistas ou nas intervenções de fundo que vai fazendo, Montenegro também não promete uma obra concreta em troco de votos. Mas a mera sugestão de que, sendo primeiro-ministro, pode resolver os problemas do concelho é, na cabeça dos sociais-democratas, o incentivo certo para votar no candidato local — pelo tal alinhamento com o partido que está no poder. E Montenegro vai tratando de adaptar ligeiramente o discurso.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Em Chaves e em Bragança, falou do aumento dos fundos europeus para o Interior do país. Em Mafra, da requalificação das escolas. Em Guimarães, da redução de impostos. Na Trofa, da futura Linha de Metro. E, claro, no Porto, depois de passar largos minutos a falar sobre os temas de Pedro Duarte (imigração, insegurança, consumo e tráfico de droga), anunciou total disponibilidade para implementar um plano especial de segurança para a cidade. A governamentalização da campanha autárquica faz-se por aí e ainda há um trunfo chamado Orçamento do Estado que haverá de trazer novidades nos próximos dias.

Reeleito há 10 meses, Montenegro sabe que parte para estas eleições correndo praticamente zero riscos — a menos que haja uma catástrofe, dificilmente se poderá ler um mau resultado do partido como um cartão amarelo ao Governo. Já o contrário não é bem assim: se os sociais-democratas conseguirem recuperar a distância em número de autarquias face ao PS (o que explica estas incursões em territórios menos densificados mas que contam para o totobola), se conseguirem conquistar bastiões importantes (Sintra, Gaia e Porto), segurando as suas praças (Braga, Aveiro e Lisboa), a vitória sobre o PS será total — seria a primeira vez, desde 2013, que o PSD voltava a deter o título de maior partido autárquico.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A corrida de Carneiro às capelinhas, com senadores ao lado e um Orçamento para arrumar

O bolo de corante azul-vivo tem mais de um metro de comprimento e não é o primeiro que José Luís Carneiro vê este fim de semana, ou não tivesse passado o seu 54º aniversário na estrada. O doce está instalado numa mesa comprida, ao fundo do pavilhão a rebentar pelas costuras em que Carneiro discursa, e só os muitos decibéis das colunas o salvam de ser abafado pelo barulho dos talheres a baterem nos pratos. Afinal, quem o ouve são centenas de socialistas que esperaram até depois das três da tarde para comerem e verem o secretário-geral dar uma ajuda rápida na campanha. Carneiro entra, discursa, sobe a uma cadeira para acenar a quem o vê (e que devolve o aceno entre garfadas de carne à portuguesa), sai disparado em direção ao carro. Passaram quinze minutos desde que chegou e já é tempo de acorrer a outra capelinha.

Num momento decisivo para o PS, depois de umas legislativas em que entrou em estado de choque ao passar para terceira força parlamentar, Carneiro tenta dar um sinal positivo, de retoma, nestas autárquicas e para isso faz aquilo que durante tanto tempo, como autarca, secretário-geral adjunto ou secretário de Estado das Comunidades, treinou: correr o aparelho e cumprimentar o povo socialista, conhecer cada autarca, distribuir cumprimentos e mostrar que conhece o terreno. Daí que o pavilhão da Trofa tenha entrado, à última hora, na agenda deste domingo, que inicialmente “só” previa incursões por Matosinhos, Guimarães, Aveiro e Alenquer – Carneiro não resistiu a dar um salto de um quarto de hora a mais um evento, a que Francisco Assis assistia, e tentar assim animar mais uma sala cheia de socialistas (compreensivelmente) esfomeados.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

A agenda tem sido frenética e Carneiro recupera a sua fama de formiguinha no terreno, desdobrando-se este fim de semana, em que foi acompanhado pelo Observador, em intervenções intervaladas por momentos em que lhe cantam os parabéns. Como constatava Mariana Vieira da Silva num comício em Aveiro: “Zé Luís, vemos-te em todos os cantos do país a toda a hora, não sabemos como fazes, mas sabemos que tens feito aquilo de que o PS precisa”.

A caminho destas eleições há, claro, um elefante na sala: enquanto o PS tenta dar uma verdadeira prova de vitalidade nas autárquicas, o Governo prepara-se para entregar um Orçamento do Estado que prevê boas notícias para o eleitorado, como descidas no IRS. O PS não se sente com força para provocar nenhum tipo de instabilidade – o ideal seria mesmo provar que a sua implantação no terreno está de boa saúde antes de se atravessar por decisões de risco. E é preciso, ainda assim, mostrar que os socialistas não vão apenas entregar a aprovação do Orçamento de mão beijada, um equilíbrio difícil de atingir.

De visita a uma associação na Lourinhã, onde aparece de mão dada com a mulher, Goreti, e sorriso pronto para mais uma fatia de bolo e um copo de vinho comemorativo, Carneiro tem o recado preparado. Primeiro diz aos jornalistas que agora que o Governo cumpriu naquilo que seria a linha vermelha do PS – não incluir no Orçamento normas sobre as leis laborais, a lei de bases da Saúde ou a segurança social que comprometessem o PS com políticas mais abrangentes – será mais “fácil” viabilizar o documento.

A seguir sobe ao pequeno palco da sala cheia de bandeiras vermelhas, onde o público é na sua larga maioria de faixas etárias mais velhas, e confirma: existem hoje “condições melhores” para aprovar o Orçamento, até porque “ninguém” – e desde logo o PS – quer uma “crise política” agora; é preciso que o Governo ajuste as pensões mais baixas, que precisam de um aumento estrutural, mas Carneiro não rasga as vestes nem arrisca fazer desse ponto uma nova bandeira vermelha – promete apenas que o PS “acompanhará” quem decidir fazer propostas que digam respeito às pensões.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

O recado está dado e, por vontade de Carneiro, a conversa sobre Orçamento parece arrumada: no dia seguinte, com um porco a cozinhar no espeto e música popular fazerem de pano de fundo a um arraial em Matosinhos, não explora o tema das pensões que lançou, mesmo perante as perguntas dos jornalistas, e prefere criticar o Governo pelo atraso nas cirurgias no SNS; recusa responder a qualquer pergunta sobre a Palestina, a flotilha ou a manifestação em Lisboa sobre o tema, declarando que as autárquicas são o “verdadeiro tema da atualidade”.

Para o PS, não só são o “verdadeiro tema” como são uma verdadeira luta para tentar provar que as legislativas representam mais um acidente de percurso do que o destino de um PS a encolher. “É uma honra poder liderar o PS numa fase tão importante da sua vida. É a partir do poder local que vamos colocar o PS onde ele deve estar”, anunciava o líder no final de domingo, em Aveiro. Daí a hiperatividade: vai a câmaras emblemáticas do PS como Matosinhos e Guimarães (que se empenham em fazer verdadeiras provas de força, com arraiais e comícios que juntam milhares de pessoas) como vai a Aveiro, onde o PS se esforça para conquistar uma capital de distrito que é social democrata. Leva os seus senadores mais próximos consigo: num dia é acompanhado por António Vieira da Silva, noutro por Augusto Santos Silva (que deixa um elogio à orientação do PS de não fazer acordos locais com o Chega) e Fernando Medina; os discursos são quase inteiramente virados para a autarquias que estão em jogo, deixando a política nacional para depois.

Afinal, para o PS este é mesmo o grande objetivo: vencer as autárquicas e fazer uma prova de força. Se o Orçamento puder ser viabilizado de forma discreta pelo meio, com o mínimo de comprometimento e menorização de um partido que tenta reerguer-se após o tombo de maio, melhor.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

No “Venturistão” sem poupar o PSD (e sem peso na consciência)

No fim de semana do tudo por tudo, Ventura priorizou os bastiões do Chega. Depois de o mapa do país ter ficado pintado de azul escuro no sul nas últimas eleições legislativas, o líder do Chega, que chegou mais tarde à campanha das autárquicas por razões de natureza pessoal, não saiu da rua. Foi no Algarve e no Alentejo — recém-auto-proclamado “Venturistão” por um candidato autárquico em Elvas — que escolheu passar os melhores dias em termos de mobilização e dispensou os comícios, preferindo desfilar pelas ruas de cada município ao lado dos candidatos autárquicos e fazer pequenos discursos no final de algumas arruadas.

São 11h00 da manhã de sábado. Falta uma semana e um dia para as eleições autárquicas. Nas imediações do Mercado de Olhão o calor é abrasador. Ventura tem chegada prevista para as 11h30 (que acontece quase uma hora depois) e, aos poucos, começam a concentrar-se dezenas de pessoas por ali. A tradição de ter comitivas a percorrer mercados nas manhãs de sábado leva ao óbvio: há caravanas de todas as cores com bandeiras, cânticos de apoio e oferta de brindes. O aproximar da hora de Ventura aumenta a densidade da comitiva, que espera impacientemente junto à estrada. Vão passando minutos e o atraso contribui para cânticos cruzados entre apoiantes.

A AD, com um jovem de microfone na mão a marcar o ritmo e sob o olhar atento do candidato local, vai puxando pelas gargantas. O PS, com a comitiva curiosa, aparece por trás do Chega e junta-se aos cânticos. Acaba por se deslocar para o outro lado da estrada e não evita a narrativa que serve na perfeição aos apoiantes ruidosos que aguardam Ventura. “Façam agora uma geringonça nova, juntem-se PS e PSD”, atira um; “é o centrão, são todos iguais”, dispara outro. O tom dos gritos vai subindo, ainda que com um ambiente exemplarmente ordeiro, e a caravana dos socialistas avança, passando mesmo pelo meio dos sociais-democratas. Há apupos e gargalhadas: “Já chega dos dois, tão amigos que eles são!”

Igor Martins

Os mais energéticos do Chega vão provocando a caravana da AD, com palavras de ordem: “Onde é que estão os fãs do Chega?”, questiona um; “ali”, respondem todos em uníssono, de dedos apontados aos sociais-democratas. O homem que está prestes a chegar — e construiu uma imagem de pop star nas ruas — já esteve do outro lado da barricada mas, hoje em dia, depois de ter ultrapassado o PS em número de deputados, corre atrás de um PSD que é Governo e tem procurado dar resposta a algumas das bandeiras que o Chega colocou no debate político. Porém, o objetivo está traçado e Ventura não desfaz o discurso de colagem entre PS e PSD nem sequer nas eleições autárquicas, onde há locais em que os resultados do Chega, que causam uma dispersão de votos à direita, podem complicar a vida aos sociais-democratas e contribuir para que o PS ganhe câmaras. É o caso das duas mais relevantes do país: Lisboa e Porto.

O cenário não pesa na consciência de Ventura. Quer “intrometer-se no domínio de PS e PSD”, mas não tem preferências sobre quem abre a garrafa de espumante na noite eleitoral: “O PSD neste momento está igual ao PS, não está diferente”. E em Lisboa, especificamente, culpa mesmo o “desastre” de governação de Carlos Moedas para que as sondagens o coloquem em empate técnico com Alexandra Leitão. Além de constatar que a capital nem é o “principal bastião” do Chega e, mesmo assim, as sondagens apontarem para números positivos relativamente às legislativas, Ventura está pouco preocupado com o partido que um dia foi o seu: “O PSD anda a prejudicar o país há 50 anos.”

Igor Martins/Observador

Durante o fim de semana marcado pelas palavras de Luís Montenegro e José Luís Carneiro sobre o Orçamento do Estado, André Ventura não quis dedicar muito tempo ao tema, mas não desperdiçou a chance de se atirar ao Governo. “O primeiro-ministro está a dizer é aquilo que o Chega lhe propôs e aquilo que disse ao Chega”, provocou. Mais do que isso, acrescentou que “o PSD andar a falar do Orçamento do Estado, pelas autarquias todas, mostra que não tem nem projetos autárquicos, que está com medo de perder as autarquias e que os seus candidatos autárquicos também não têm grande coisa a dizer, porque senão não se falava de coisas que já foram aprovadas”. Não só não promete votos a favor do documento sem o conhecer, como alerta que “o PSD várias vezes enganou [o Chega] e os eleitores” — uma forma de deixar todos os cenários em aberto.

Seja como for, o país ainda não foi às urnas, os resultados ainda não são conhecidos, o Chega está longe de saber quantas câmaras ou juntas vai conseguir presidir, e André Ventura já canta vitória por antecipação: “O Chega vai ser sempre um dos vencedores na noite eleitoral.” Se o ponto de partida for o atual, dificilmente não será uma noite de festa. Mas tendo em conta que o Chega é hoje o partido líder da oposição, resta saber quais os mínimos com que se lançam os foguetes. Até lá, como fez em cartazes por todo o país, Ventura vai continuar a emprestar o poder da sua imagem aos candidatos que vão a votos.

Igor Martins

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