O julgamento pela morte de Odair Moniz foi adiado para o dia 22 de outubro por baixa do advogado que defende o agente da polícia, avançou o Correio da Manhã e confirmou o próprio Ricardo Serrano Vieira ao Observador. A primeira sessão, inicialmente agendada para 15 de outubro às 13h30, foi adiada para a quarta-feira da próxima semana, com arranque às 9h15.

A hipótese de o arranque do julgamento ser adiado ganhou força nos últimos dias, fruto de um internamento a que foi submetido o responsável pela defesa do único arguido no julgamento. Ricardo Serrano Vieira adiantou ao Observador, na segunda-feira, que apesar de ainda não estar “a 100%”, sentia-se em condições de ir a tribunal.

No entanto, essa opção estava pendente de uma resposta da equipa médica que o acompanhou. O veredito chegou, como previsto, esta terça-feira e obrigou o advogado a não avançar com a intenção de estar no julgamento, levando o tribunal a adiar a primeira sessão do julgamento que vai arrancar precisamente um ano e um dia depois da morte de Odair Moniz na Cova da Moura.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Ricardo Serrano Vieira, o advogado responsável pela defesa do agente da PSP que matou Odair Moniz

Independentemente da nova data, o Observador apurou junto de fonte ligada à Comarca de Lisboa Oeste que já foi pedido um reforço de segurança para evitar eventuais tumultos como os registados em vários pontos de Lisboa nos dias que se seguiram à morte de Odair, quando foram incendiados carros, autocarros e cenas de violência que incluíram ameaças e agressões a um condutor da Carris, que ficou com queimaduras graves.

O julgamento que contará com um coletivo de juízes tinha, inicialmente, Catarina Pires a liderar os restantes magistrados (Carlos Camacho e Ana Tânia Correia), mas as movimentações verificadas no início deste ano judicial levaram a juíza para o Tribunal de Loures, sendo colocada Ana Sequeira no seu lugar, não havendo alterações no restante coletivo.

“Dizem que não vão parar até matarem um polícia.” A segunda noite de violência nas ruas do Bairro do Zambujal

O polícia que está acusado da morte de Odair Moniz começou a carreira em 2022 e está, neste momento, suspenso de funções. Vai responder em tribunal pelo crime de homicídio. Para o Ministério Público, o agente sabia que “a conduta de disparar, por duas vezes, a curta distância do corpo de Odair era apta a atingir o corpo deste”. Segundo avançou esta segunda-feira o jornal Público, o único arguido do caso não revelou a sua morada por razões de segurança.

Ainda de acordo com aquele diário, nos últimos tempos, o agente não tem vivido sempre no mesmo local, permanecendo em casas de familiares ou num parque de campismo.

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