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Portugal e a Arábia Saudita querem dar “um novo fôlego” às relações bilaterais, nomeadamente através de investimentos económicos em setores como energias renováveis ou construção, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, em visita a Riade.

“É muito importante dar um novo fôlego às questões económicas e ao investimento”, quer saudita em Portugal, quer por parte de empresas portuguesas neste país do Médio Oriente, afirmou Paulo Rangel, em declarações à Lusa por telefone, após ter sido recebido pelo homólogo saudita, príncipe Faisal bin Farhan Al Saud, na capital da Arábia Saudita.

O chefe da diplomacia portuguesa destacou que a presença de empresas portuguesas, incluindo de média dimensão, já é visível, em setores como a saúde e a construção.

E apontou oportunidades para as empresas portuguesas, nomeadamente da área da construção, com a preparação do campeonato mundial de futebol em 2034, depois da organização conjunta de Portugal, Espanha e Marrocos, quatro anos antes.

Em sentido inverso, as empresas sauditas podem encontrar oportunidades de investimento em Portugal nas energias renováveis e nos oceanos, exemplificou Rangel.

“A Arábia Saudita é um grande produtor de petróleo, um país que está a fazer a sua transição energética (…) para uma economia menos dependente do carbono, no futuro”, realçou o também ministro de Estado.

Os dois governos realizam em novembro, em Riade, uma reunião da comissão mista, com a presença do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida.

Além disso, Lisboa e Riade querem melhorar as relações culturais, adiantou Paulo Rangel, que salientou que o KAICIID — Centro para o Diálogo Internacional, uma iniciativa saudita com sede em Lisboa, “é pouco conhecido, mas merece, de facto, um relançamento”.

O chefe da diplomacia portuguesa destacou ainda a presença na Arábia Saudita do futebolista Cristiano Ronaldo, jogador do Al Nassr, “um grande embaixador” de Portugal e “que tem feito pelas relações entre os dois países, algo que a simples relação política tradicional ou até económica não era capaz de fazer”.

Durante o encontro, Rangel e o homólogo saudita abordaram também a situação no Médio Oriente e o chamado plano Trump para o cessar-fogo na Faixa de Gaza.

A Arábia Saudita coorganizou, com França, duas conferências de alto nível nas Nações Unidas sobre a solução dos dois Estados, em julho e setembro. No âmbito da mais recente, uma dezena de países, incluindo Portugal, reconheceram oficialmente o Estado da Palestina.

Rangel destacou “a disponibilidade” de Lisboa e Riade “para se comprometerem bastante com este processo e para terem um papel ativo, cada um com a sua dimensão”.

“Isto significa uma aposta que Portugal está a fazer, por um lado, neste mercado e, por outro lado, um investimento político também nas relações bilaterais e na capacidade que ambos os países têm de serem promotores do diálogo internacional, promotores da paz e, cada um com a sua história e com o seu envolvimento nesta questão do Médio Oriente, mas que obviamente faz com que o outro possa também aproveitar essa experiência para potenciar a sua capacidade de interlocução e de diálogo neste conflito”, comentou.

Na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros segue para a Turquia, onde vai reunir-se com o homólogo, Hakan Fidan, num encontro focado nas relações bilaterais, mas também no papel de Ancara na mediação dos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, decorrente da invasão russa em fevereiro de 2022.

A Turquia é, sublinhou, Rangel, “um país chave” na sua região, um parceiro na NATO e candidato à União Europeia, embora este processo esteja paralisado.