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O braço armado do grupo islamita palestiniano Hamas afirmou esta quarta-feira que entregou todos os reféns mortos mantidos na Faixa de Gaza a que teve acesso, horas antes de devolver mais dois corpos. Em resposta, o ministro da Defesa israelita ameaçou retomar a ofensiva na Faixa de Gaza “se o Hamas se recusar a respeitar o acordo” — uma ameaça que Donald Trump admitiu que deixaria Telavive cumprir.
Em comunicado, as Brigadas al-Qassam alegaram que “cumpriram o compromisso com o acordo [de cessar-fogo na Faixa de Gaza], entregando todos os prisioneiros israelitas vivos sob a sua custódia, bem como os corpos a que tiveram acesso”. À data da assinatura do acordo, continuavam no enclave palestiniano os corpos de 28 reféns israelitas que morreram no cativeiro.
Até esta quarta-feira, o Hamas devolveu dez corpos — um dos quais disse tratar-se de um soldado israelita, morto numa operação militar em maio de 2024. Contudo, esse corpo foi identificado pelas autoridades forenses israelitas como um homem palestiniano, acusado pelo Hamas de colaborar com Telavive. Para recuperar os restantes 19 corpos, o grupo palestiniano diz precisar de “esforços significativos e equipamento especial para os procurar e recuperar“.
Apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter indicado que as negociações para a segunda fase do acordo entre Israel e Hamas já começaram, o jornal israelita Jerusalém Post noticiou esta quarta-feira que as autoridades israelitas só vão retomar o diálogo até que todos os corpos dos reféns sejam devolvidos. As autoridades de Israel têm, por outro lado, ameaçado que o fluxo de ajuda humanitária ao enclave palestiniano pode ser afetado pelo atraso na entrega dos corpos de reféns, que estava prevista na primeira fase do acordo de cessar-fogo.
Israel Katz, ministro da Defesa de Israel, classificou o anúncio do Hamas como uma violação do cessar-fogo. “Se o Hamas se recusar a respeitar o acordo, Israel, em coordenação com os Estados Unidos, retomará os combates e trabalhará para a derrota total do Hamas”, pode ler-se num comunicado divulgado pelo seu gabinete. Antes, o governante já tinha confirmado que as forças israelitas disparam sobre palestinianos que cruzaram a Linha Amarela, que marca os limites da ocupação israelita na Faixa de Gaza.
A mesma ameaça foi deixada pelo Presidente Donald Trump ao Hamas, que declarou ser capaz de “controlar” a vontade das autoridades de Israel de reentrar na Faixa de Gaza. Porém, se o grupo palestiniano desafiar o acordo de paz — o líder norte-americano referiu-se diretamente à obrigação de o grupo de desmilitarizar —, Trump admitiu dar rédea livre a Telavive. “Israel pode regressar àquelas ruas assim que eu disser. Se Israel puder entrar [em Gaza] e dar-lhes uma tareia, eles fariam isso”, ameaçou, numa breve entrevista à CNN esta quarta-feira.
Em troca dos reféns devolvidos pelo Hamas, 1.968 prisioneiros palestinianos foram também libertados na segunda-feira, incluindo muitos condenados por ataques mortais contra Israel, bem como 1.700 palestinianos presos por alegadas “razões de segurança”, desde o início da guerra, em outubro de 2023. Nos últimos dois dias, Israel entregou igualmente os corpos de 90 palestinianos que mantinha na sua posse.
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O Presidente dos Estados Unidos também exigiu ao Hamas a devolução dos corpos dos reféns, após ter sido o principal impulsionador do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, negociado ao longo de vários dias em Sharm el-Sheikh, no Egito, com a mediação de delegações egípcias, qataris e turcas.
Nesta fase, foi acordado o cessar-fogo na Faixa de Gaza, a retirada gradual das forças israelitas, a entrada em massa de ajuda humanitária no enclave palestiniano e a troca de reféns por prisioneiros
O acordo define que um comité internacional ajude o Hamas a encontrar os corpos de reféns dados como desaparecidos, estando, segundo a imprensa israelita, a decorrer reuniões técnicas no Egito.
A segunda fase vai abordar a reconstrução, bem como o desarmamento do Hamas e a governação do enclave. A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas a 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma ofensiva militar em grande escala na Faixa de Gaza, que matou mais de 67 mil palestinianos — segundo números das autoridades locais controladas pelo Hamas, considerados credíveis pelas instituições internacionais —, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.