O banco Sabadell manifestou esta sexta-feira “grande satisfação” com o fracasso da Oferta Pública de Aquisição (OPA) hostil do BBVA de que foi alvo e considerou que as duas entidades gerarão mais valor sem haver fusão.
“O fim da OPA é o melhor caminho para o Banco Sabadell e para o BBVA, que são duas grandes entidades que geram mais valor separadas do que juntas”, afirmou o presidente do Sabadell, Josep Oliu, citado num comunicado. “É uma grande satisfação confirmar que o Banco Sabadell poderá continuar sozinho”, acrescentou Josep Oliu, que lembrou que a instituição tem uma história de 144 anos.
Também o presidente executivo (CEO) do Sabadell, César González-Bueno, citado no mesmo comunicado, considerou que o banco catalão é um “projeto que tem um grande presente e um melhor futuro de forma independente”.
Uma vez concluído o processo da OPA e após o fracasso da operação, o Sabadell vai prosseguir com a execução do seu Plano Estratégico 2025-2027, anunciado em julho passado, “que contempla a remuneração de 6.450 milhões de euros aos acionistas e aumentar a rentabilidade para 16% em 2027″, revela o banco catalão, no comunicado divulgado hoje.
O BBVA, banco espanhol com origem no País Basco, não conseguiu levar a bom porto a OPA hostil sobre o catalão Sabadell, não alcançando sequer 26% do capital da instituição financeira, disse na quinta-feira a Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) de Espanha. O banco basco BBVA conseguiu 25,47% do capital do Sabadell, muito longe do objetivo inicial de 50%, que lhe teria dado o controlo do banco catalão.
A OPA estava formalmente em curso desde 8 de setembro, com uma proposta do BBVA de uma ação sua por cada 4,8376 ações do Sabadell, avaliando cada ação catalã em 3,39 euros — o valor mais alto em mais de uma década.
O banco basco havia definido como requisito mínimo obter 50% do capital do Sabadell. Caso conseguisse entre 30% e 50%, poderia manter a participação, mas seria obrigado a lançar uma segunda OPA totalmente em dinheiro — ao contrário da atual, que propunha apenas a troca de ações. Qualquer participação abaixo de 30% significaria o fracasso total da oferta, como se confirmou.
A tentativa de fusão do BBVA com o Sabadell visava criar um dos maiores bancos europeus, com cerca de um bilião de euros em ativos, mais de 135 mil trabalhadores no mundo (incluindo 19.213 do Sabadell) e mais de 7.000 agências. A nova entidade teria superado o CaixaBank (proprietário do BPI) em ativos, tornando-se o segundo maior banco de Espanha, atrás apenas do Santander. Desde o lançamento da OPA, em maio de 2024, o processo enfrentou várias dificuldades regulatórias.
O regulador do mercado aprovou a operação apenas em abril deste ano, e o Governo espanhol condicionou a fusão à manutenção separada das personalidades jurídicas, patrimónios e gestões de ambos os bancos durante três anos, com possibilidade de prolongamento por mais dois. Bruxelas abriu um processo de infração devido à legislação que permitiu ao Governo impor essas condições. Além do Governo de Espanha, também o executivo regional da Catalunha (ambos liderados pelos socialistas) manifestou reservas à fusão dos dois bancos A OPA foi ainda criticada por cerca de 70 associações empresariais e sindicatos.