Uma ofensiva diplomática dos EUA, liderada pessoalmente por Donald Trump, travou, por um ano, o aumento da tributação à poluição climática causada pelos transportes marítimos em todo o mundo. A reunião da Organização Marítima Internacional (OMI), em Londres, terminou esta sexta-feira com a decisão inesperada de adiar nos próximos 12 meses o esforço para taxar a poluição climática causada pelo transporte marítimo.
Ao lado dos EUA, votaram a favor do adiamento das negociações a Rússia, Arábia Saudita e a China, esta última que chegou a votar favoravelmente a proposta verde em abril. Bahamas e Antígua e Barbuda, que também tinham concordado em abril em prosseguir com as taxas, abstiveram-se.
Um delegado do grupo de estados insulares disse à BBC que estes países dependem muito dos EUA para o comércio e foram fortemente pressionados pela administração Trump para mudarem de posição. A pressão foi aplicada através da ameaça de tarifas e outras penalizações económicas.
De acordo com o Politico, o mais provável é que os EUA aproveitem o próximo ano para tentar angariar mais apoio para eliminar por completo as regras internacionais vinculativas para reduzir os gases com efeito de estufa provenientes do transporte marítimo.
“O Presidente Trump salvou os EUA do absurdo golpe climático que estava a matar o nosso país e há muito que alerta outros para abandonarem esta agenda destrutiva antes que seja tarde demais. Impedir esta votação desastrosa é uma grande vitória para o povo americano e para os países de todo o mundo”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers.
O adiamento da decisão de tarifar a poluição marítima representa também um revés para a União Europeia. A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, classificou a suspensão de um ano como “uma enorme vergonha”, numa publicação na Bluesky.
This is a huge shame. Maritime emissions need to be reduced. It has taken years to build proposals to enhance committed clean shipping supporting decarbonisation, ocean health and innovation.
— Teresa Ribera (@teresaribera.ec.europa.eu) 17 de outubro de 2025 às 15:53
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A expectativa na União Europeia era a de que a medida fosse aprovada antes da COP30, que decorre em novembro no Brasil, país que apoia igualmente o acordo mundial para tarifar os transportes marítimos.
A proposta em aprovação na OMI, a agência da ONU que regula o transporte marítimo global, visava incentivar os países a adotar combustíveis mais limpos, com o objetivo de acabar com as emissões de carbono do transporte marítimo até 2050. As taxas cobradas destinavam-se a financiar a mudança para combustíveis mais ecológicos e a apoiar os países em desenvolvimento a implementar as medidas ecológicas.