“Putin devia estar a acabar com a guerra, não a testar mísseis”, critica Donald Trump, em declarações feitas ao início da manhã de segunda-feira – cerca de 24 horas depois de a Rússia anunciar um teste “bem sucedido” de um míssil de cruzeiro com propulsão nuclear. É uma iniciativa “inoportuna”, acrescentou o Presidente dos EUA.
As críticas de Trump, que publicamente tem defendido uma negociação que ponha fim ao conflito, foram feitas durante uma viagem do Presidente dos EUA por vários países da Ásia.
Esta guerra, que deveria durar uma semana, entrará em breve no quarto ano. É isso que ele deveria fazer, em vez de andar a testar mísseis”, afirmou Trump.
Trump disse, também, que teria muito gosto em encontrar-se com Kim Jong-Un – norte-coreano que é importante aliado de Putin – e que até estaria disponível para prolongar a sua viagem se esse encontro pudesse acontecer.
O que está em causa é que o Kremlin anunciou no domingo o sucesso do teste final de um míssil de cruzeiro com propulsão nuclear, elogiando esta arma “única” com um alcance de até 14.000 quilómetros, em resposta ao escudo antimísseis dos EUA.
Kremlin desvaloriza declarações de Trump sobre míssil. “Rússia defende os seus interesses”
O Kremlin desvalorizou as declarações feitas por Donald Trump sobre o “inoportuno” teste do míssil nuclear. A “Rússia orienta a sua política pela defesa dos seus interesses”, afirmou, de forma sucinta, um porta-voz do regime russo.
A mesma fonte acrescentou que “não há nada” neste míssil que deva prejudicar as relações com EUA. Porém, garante o Kremlin, a inovação bélica é uma necessidade porque “a Rússia tem de fazer tudo para assegurar a sua segurança num contexto em que a Europa tem uma atitude cada vez mais militarizada”.
A Rússia anunciou, no domingo, ter realizado com sucesso um teste do míssil de cruzeiro Burevestnik 9M730, uma arma nuclear cuja propulsão também é gerada a partir de energia nuclear. O Presidente russo, Vladimir Putin, apareceu em uniforme militar, rodeado de altos comandantes das forças armadas, e descreveu a arma como “impossível de intercetar”, com um alcance praticamente ilimitado.
O chefe do Estado-Maior russo, o general Valery Gerasimov, informou o Presidente de que o míssil percorreu 14.000 quilómetros durante 15 horas de voo, acrescentando que “esse não é o limite” das suas capacidades. Por isso, Putin declarou que o Burevestnik representa uma arma “sem equivalente no mundo” e ordenou o início dos preparativos para a sua futura integração nas forças armadas russas.
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