“A linha circular é para manter”, assumiu a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, na audição parlamentar sobre Orçamento do Estado para 2025. Assumiu as conclusões dos estudos feitos para manter a decisão. “Os estudos mostram que é o mais eficiente, implica menos transbordo para um maior número de passageiros e permite encurtar o tempo de percurso em 25 minutos”.
Concretizou ainda que passar a linha circular para linha em laço “é possível” “se os dinheiros de Portugal chegarem”, apontando custos de 10 a 14 milhões de euros essa conversão, que acabou por ficar em cima da mesa depois das críticas da linha circular.
Em 2022, o PSD, assumindo que a linha circular tinha “merecido contestação desde o início” de “muitos técnicos e especialistas de várias áreas”, mas já com os procedimentos de contratação iniciados, reclamava do governo socialista a revisão do projeto e a adoção, em alternativa, de uma linha em laço.
A linha circular, que consiste no prolongamento das linhas amarela e verde com a ligação entre o Rato e Cais do Sodré, foi, desde o início, alvo de muitas críticas, e em 2020, na discussão do Orçamento do Estado para esse ano, uma coligação negativa aprovou a suspensão do projeto — com os votos para a suspensão do PSD, Bloco de Esquerda, PCP, PAN e Os Verdes; a abstenção do CDS, Iniciativa Liberal e Chega e apenas o PS a votar contra. O Governo, nessa altura, não travou o projeto.
Expansão do Metro de Lisboa suspensa? Governo garante que obra vai continuar, mas não diz como
Mais tarde, em 2021, foi a vez da Câmara Municipal de Lisboa aprovar uma moção do PCP a pedir a suspensão do projeto pelo Governo. O que recebeu, também, um “não” do governo socialista. Matos Fernandes, que era o ministro, nessa altura, com a tutela do Metropolitano de Lisboa, garantiu que o Governo “não vai recuar na linha circular do Metro por esta ser manifestamente a que lhe melhor serve a mobilidade na área da metropolitana Lisboa, por andarmos há muito tempo de estudo em estudo para o poder comprovar e por termos uma obra em curso, outra obra a uma semana da consignação e uma outra que deverá ser consignada até ao final ano”. E ainda por ser um grande projeto com fundos comunitários. “Portanto não, esta obra não vai parar”.
Parar a linha circular? Metro já adjudicou contratos de 142 milhões em obras
Mesmo Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, declarou ser um erro a linha circular, que “não é racional e não serve a população”, considerando que a solução seria a versão de linha em laço.
[Chegou o histórico debate entre Soares e Freitas. E o socialista já conseguiu o voto dos comunistas sem “olhar para o retrato” dele. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]
Obra de expansão da linha Vermelha arranca em dezembro
Está previsto para dezembro deste ano o arranque das obras de expansão da linha Vermelha até Alcântara, garantiu a secretária de Estado da Mobilidade, atirando para o governo socialista o problema de financiamento desta linha ao abrigo do PRR. A execução não deve ficar concluída no prazo do PRR, até final de 2026, e por isso terá de ser financiada de outra forma. Cristina Pinto Dias não considera que essa não execução no PRR seja responsabilidade deste Governo.
Aliás recorda que o último governo socialista já admitia, em março de 2024, o fim da obra no segundo trimestre de 2027 — o que já deixada o projeto fora do tempo de execução do PRR.
“A irresponsabilidade dos fundos já vem de trás. Já herdamos um comboio em andamento. Vamos acelerar”, garantiu a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias.
Também a linha Violeta (metro ligeiro de expansão de Odivelas a Loures) será adjudicada em dezembro, indicou a responsável.
A expansão da linha azul, que foi tema da audição sobre Orçamento do Estado para 2026, não está em estudo, indicou, havendo no entanto estudos sobre o prolongamento da linha amarela de Telheiras ao Colégio Militar-Benfica.