Imagens de satélite, captadas pela Maxar Tecnnologies, empresa privada de tecnologia espacial com sede nos Estados Unidos, mostram como era e como ficaram várias regiões da Jamaica, depois de nos últimos dias ter sido assolada pelo furacão Melissa, uma tempestade que atravessou as Caraíbas com uma intensidade raramente vista.
Depois de ter passado pelo Haiti e República Dominicana, o Melissa chegou à Jamaica com ventos superiores a 280 quilómetros por hora — força suficiente para o classificar como furacão de categoria 5, o nível máximo da Escala de Saffir-Simpson. É, até agora, considerada a tempestade mais forte do planeta em 2025, segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla inglesa). No total, o fenómeno provocou 49 mortes — 30 no Haiti e 19 na Jamaica.
O Melissa nasceu de “uma onda tropical vinda de Cabo Verde”, algo comum nesta época do ano, segundo explicou ao Observador o climatologista Mário Marques, acrescentando que “encontrou um ambiente muito favorável ao desenvolvimento rápido para furacão, com a temperatura das águas do Caribe muito acima da média”.
Nos blocos interativos que o Observador preparou, com as fotografias divulgadas pela Maxar, é possível comparar o antes e o depois de várias zonas do país, como a Baía de Montego, a aldeia de pescadores Casa Branca ou a cidade de Nova Esperança. Para ver as mudanças, basta arrastar a barra branca vertical, que se encontra a meio das imagens.
Muitas famílias ficaram isoladas devido à falta de serviço telefónico e às inundações generalizadas, um dia depois de o Melissa ter deixado mais de 500 mil pessoas sem eletricidade e milhares desalojadas.
O furacão atingiu a costa sudoeste da Jamaica, perto de Rio Negro, em Saint Elizabeth, na terça-feira, como um dos furacões mais fortes de sempre no Atlântico, antes de enfraquecer e seguir para Cuba.
O primeiro-ministro jamaicano, Andrew Holness, declarou o país como “zona de desastre” na terça-feira e afirmou numa mensagem que, depois de sobrevoar a zona de Saint Elizabeth, “as imagens de destruição estão por todo o lado”.
Para Andrew Holness, o furacão causou “danos catastróficos“. “Não há infraestruturas nesta região, ou talvez em qualquer parte do mundo, que possam suportar um furacão de categoria cinco sem algum nível de danos”, disse o primeiro-ministro na terça-feira à CNN.
O Governo jamaicano decretou evacuações obrigatórias mesmo antes da chegada do Melissa ao país, abrindo também mais de 800 abrigos. O Presidente da Jamaica confessou ter estado “de joelhos a rezar” pelo país.
Mais de 700 mil crianças e adolescentes precisam “urgentemente de alimentos e água potável” nas Caraíbas, após as inundações do furacão Melissa, alertou esta quinta-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
“Em consequência das inundações implacáveis nas Caraíbas, centenas de milhares de crianças viram as vidas subitamente viradas de cabeça para baixo (…) precisam urgentemente de alimentos, água potável e saneamento básico, acesso a serviços de saúde e nutrição e um caminho de regresso à educação”, disse Roberto Benes, diretor regional da UNICEF para a América Latina e o Caribe.
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