A empresa mais antiga de Portugal (“carregamos uma longa história aos ombros”), com mais de 500 anos, que se transformou e hoje não é quase uma empresa de correio. Assumindo um pouco de exagero na declaração, João Bento, presidente dos CTT, assumiu aos investidores, no dia em que lhes apresenta a sua estratégia futura (2026-2028), com um objetivo: “ser líder na logística de comércio eletrónico na Península Ibérica”.
No comércio eletrónico a estratégia passa por crescer verticalmente, “combinando uma oferta completa de última milha com uma presença mais ampla na cadeia de valor, para fomentar a fidelização dos clientes”. E no correio e serviços o objetivo é estabilizar o tal negócio de correio, garantir-lhe rentabilidade, assumindo desde já que o próximo contrato de serviço universal com o Estado terá de endereçar o financiamento desse serviço. Os CTT têm financiado o serviço universal, via tarifas, em receber do Estado ou dos outros operadores (conforme acontecia nas telecomunicações). “Deixará de ser viável a partir de 2028”, assumiu João Bento. Nas respostas aos analistas, o presidente dos CTT admite que o futuro pode passar pelo financiamento, numa parte, do Orçamento do Estado. “Argumentamos que no próximo ciclo o serviço universal, para ser atribuído nos mesmos níveis de serviço, terá de ter contributos do Orçamento do Estado”.
A terceira área de negócio, a banca, também tem ordem de crescimento. O objetivo é acelerar o crescimento e a rentabilidade. “Para alcançar estas aspirações, o Banco CTT irá reforçar um modelo de negócio distinto, completar a oferta e impulsionar o digital para combinar com uma presença física não replicável”, assume a empresa.
A estrutura dos CTT foi, agora, simplificada nestas três áreas, que serão também as que serão abordadas na apresentação de contas. João Bento garantiu aos investidores que o ciclo 2022-2025, que agora termina, garantiu o cumprimento das metas. E assume já que o guidance (projeções) para 2025 “é confirmado”. Os CTT apontava para que neste ano obtivesse receitas entre 1,1 mil milhões e 1,25 mil milhões. O EBIT deverá ser superior a 115 milhões.
“Provámos que executamos e que estamos preparados para o futuro. Atingimos sempre os objetivos”, garantindo João Bento que estão construídas “fortes fundações para futuro e estamos prontos para crescimento futuro”.
No comércio eletrónico, os CTT compraram a companhia espanhola Cacesa e fez uma parceria estratégica com a DHL. A empresa espera, na sua estratégica, conseguir um crescimento médio anual de receitas de 7-9% para atingir, em 2028, rendimentos entre 1,6 mil milhões e 1,7 mil milhões de euros. O EBIT também é para crescer a um ritmo de 13-17% para atingir 170-195 milhões em 2028. Promete, desde já, aos acionistas que “mantêm o objetivo pagar entre 35 e 50% do resultado líquido em dividendos de carácter recorrente”.
Para isso, o plano de investimento para expandir operações situar-se-á entre 50 e 55 milhões por ano, “o que equivale a uma intensidade, em percentagem das receitas, na ordem dos 3,5-4,0%”. Investimentos que vão passar pelo aumento da capacidade ibérica, pela expansão da rede de cacifos e pelo aumento dos canais digitais. “Posteriormente a este período de maior investimento, após 2028, a intensidade do investimento tenderá a normalizar-se, ou seja, ficará abaixo de 3% em percentagem das receitas”, indica os CTT.
O Banco CTT também está na linha de expansão, pretendendo a empresa que o número de contas passe de 800 mil para mais de um milhão, com uma subida do volume de negócios de 7 mil milhões para 12-14 mil milhões, e o lucro antes de imposto de 26 milhões (2024) para 40-50 milhões em 2028. Também aqui os CTT fizeram uma aliança com a Generali. Neste momento, os CTT não vão requerer dividendos do banco, sendo o lucro para reinvestir no negócio financeiro.
Três áreas que leva João Bento a assumir que os CTT têm o portefólio “bem balanceado”, depois “de uma transformação impressionante”.
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