A partida a contar para a Liga Europa entre o Aston Villa e o Maccabi Telavive desta quinta-feira foi marcada pela presença de manifestantes pró-palestinianos e pró-israelitas à porta do estádio onde decorria o jogo, em Birmingham, resultando em seis detenções. O evento desportivo motivou a presença de um forte dispositivo de segurança devido ao clima altamente politizado em que decorreu e depois de semanas de polémica devido à decisão de barrar os adeptos do clube visitante de assistirem ao jogo.

Segundo o The Guardian e a Reuters, a vinda do clube israelita motivou a presença de 200 manifestantes pró-palestinianos, que agitaram bandeiras e cartazes defendendo não só o cancelamento da partida, mas também a proibição das equipas israelitas de participarem em competições internacionais de futebol devido à guerra na Faixa de Gaza. Além disso, ouviram-se cânticos contra Israel como “morte às IDF”.

Em sentido contrário, estiveram também presentes cerca de 40 pessoas num contra-protesto pró-Israel, munidas com cartazes com frases como “mantenham o antissemitismo fora do futebol” e “não à tolerância ao ódio aos judeus”.

Segundo a Reuters, chegaram a ocorrer pequenas escaramuças entre grupos rivais antes do jogo, rapidamente separadas pela polícia, que mobilizou mais de 700 agentes para junto do estádio, acompanhados de com cães policiais, cavalos e uma unidade de drones.

Tendo sido considerada uma situação de alto risco, algumas escolas foram encerradas mais cedo e o Birmingham City Council (a autoridade política local equivalente a uma Câmara Municipal) aconselhou os seus funcionários que trabalhassem perto do estádio a procurar alternativas. As autoridades, inclusive, não só pediu ao público que evitasse a área como estabeleceu checkpoints na cidade — os chamados section 60 — para permitir os seus agentes agentes a pararem e revistarem potenciais suspeitos sem a necessidade de mandato.

Polícia diz ter impedido vinda de adeptos do Maccabi devido a “hooliganismo”

Este foi o resultado de semanas de tensão e polémicas devido à vinda do clube israelita a Birmingham, a começar pela sugestão do City Council. Este, através do Grupo Consultivo de Bimingham (SAG) — órgão responsável por emitir certificados de segurança para jogos de futebol —, sugeriu a proibição da presença de adeptos do Maccabi Telavive no estádio, citando “confrontos violentos e crimes de ódio” cometidos por parte da claque do clube israelita no passado. O parecer foi respaldado tanto pela polícia local como pelo Aston Villa.

Tal decisão levou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a manifestar-se contra, defendendo não haver espaço para “antissemitismo” no país e prometendo que o seu governo trabalharia numa solução para garantir a presença dos adeptos visitantes no Villa Park. No entanto, foi o próprio Maccabi Telavive a confirmar que não aceitaria os bilhetes para os adeptos visitantes, justificando a decisão com “a atmosfera tóxica que tem sido criada que coloca em causa a própria segurança dos adeptos que queiram assistir ao jogo”.

Entretanto, um representante da polícia de West Midlands confirmou esta quinta-feira à Sky News que a proibição da presença de adeptos do Maccabi se deveu não tanto a potenciais riscos de segurança para cidadãos israelitas que visitassem a cidade, mas sim aos “níveis significativos de hooliganismo” presentes na claque do clube.

“Estou ciente de que tem havido muitos comentários quanto à ameaça para os adeptos (do Maccabi) ser a razão para a decisão. Para ser claro, esse não foi o principal motivo, foi uma consideração”, afirmou o superintendente Tom Joyce ao canal britânico. Pelo contrário, o que a motivou foram “informações e dados que indicam que há uma parte dos adeptos do Maccabi — não todos, mas uma parte —, que se envolve em níveis bastante significativos de vandalismo”.

Apesar de não mencioná-lo abertamente, a decisão da polícia de West Midlands terá tido em conta os desacatos que ocorreram em torno da partida da Liga Europa de 2024 entre o Ajax e o Maccabi Telavive, em Amesterdão, que resultaram em 60 detenções e motivaram a hospitalização de cinco pessoas.

Esta, inclusive, terá recebido informações por parte dos seus homólogos neerlandeses de que os adeptos israelitas terão atacado muçulmanos de forma aleatória na sua viagem aos Países Baixos, o que terá motivado ataques contra os adeptos israelitas. Na altura, a polícia neerlandesa referiu que os atacantes tinham sido instigados nas redes sociais a atacar judeus.

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