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O jogo entre o Aston Villa e o Maccabi Telavive não vai contar com a presença de adeptos do clube israelita, após terem sido proibidos de assistir ao encontro da Liga Europa. A decisão tomada pelas autoridades inglesas — que alegam “motivos de segurança” — é “errada”, diz Keir Starmer. Indignado, o líder britânico aponta o dedo à decisão das autoridades e afirma que não há espaço para “antissemitismo” em Inglaterra. Governo está a tentar reverter a situação.
“Esta é a decisão errada” a tomar, escreveu na rede social X o primeiro-ministro inglês, referindo-se à decisão anunciada na passada quinta-feira. “Não iremos tolerar antissemitismo nas nossas ruas”, escreveu, acrescentando que “o papel da polícia é assegurar que todos os fãs de futebol podem assistir ao jogo, sem medo de violência ou intimidação”.
This is the wrong decision.
We will not tolerate antisemitism on our streets.
The role of the police is to ensure all football fans can enjoy the game, without fear of violence or intimidation.https://t.co/8aBeqE4qbA
— Keir Starmer (@Keir_Starmer) October 16, 2025
Segundo fontes ouvidas pelo jornal inglês Telegraph, nenhum dos clubes esteve envolvido na proibição da entrada de adeptos da equipa israelita. A decisão terá sido tomada pelo Grupo Consultivo de Birmingham (SAG) — responsável por emitir certificados de segurança para jogos de futebol — após a Polícia de West Midlands apresentar um pedido nesse sentido.
Em comunicado, o clube inglês Aston Villa detalhou que as autoridades “têm preocupações com a segurança pública fora do estádio e com a capacidade de lidar com eventuais protestos”, consideração que foi transmitida numa reunião com o conselho de segurança responsável por confirmar se estão reunidas as condições para a realização do encontro.
O jogo marcado para 6 de novembro já tinha sido declarado como “de alto risco”. Em comunicado, a Polícia de West Midlands disse ter um “forte historial de sucesso na segurança de jogos de futebol e outros eventos públicos de alto risco”. E disse que estão “empenhados em garantir uma segurança justa e imparcial, equilibrando o direito do público a protestar com o nosso dever de garantir a segurança pública”.
“Após uma avaliação exaustiva, classificámos o próximo jogo entre o Aston Villa e o Maccabi Telavive como de alto risco.”
As autoridades acrescentaram ainda que se envolveram “ativamente com uma vasta gama de parceiros locais e representantes da comunidade na preparação para este jogo”. “Continuamos a participar no Grupo Consultivo de Segurança. Embora o certificado de segurança seja emitido pela Câmara Municipal de Birmingham, a Polícia de West Midlands apoia a decisão de proibir a presença de adeptos visitantes“, lê-se no documento citado pelo Telegraph.
A polícia recordou depois os episódios de violência registados no ano passado, no jogo de Maccabi Telavive contra o Ajax. Mais de 60 pessoas foram detidas nos Países Baixos, das quais 10 eram adeptos do clube israelita. Os fãs terão rasgado uma bandeira da palestina, vandalizado um táxi e entoado cânticos anti-árabes.
O porta-voz do governo de Israel, David Mencer, reagiu ao anuncio da decisão enquanto era entrevistado na rádio inglesa LBC: está é “uma situação extremamente triste para a Grã-Bretanha… que judeus e israelitas se sintam de alguma forma inseguros ou impedidos de ir a um jogo de futebol… nas ruas do Reino Unido”. “Este é um problema que a Grã-Bretanha deve enfrentar”, disse.
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Secretária da Cultura reúne-se com Ministério do Interior para encontrar “uma solução”
Durante a manhã desta sexta-feira foi conhecido que membros séniores do governo estão reunidos para discutir a decisão, avançou a SkyNews. Em declarações ao canal, o ministro responsável pela Ciência e Tecnologia, Ian Murray, avançou que Lisa Nandy, secretária da Cultura, se irá reunir com o Ministério do Interior na tentativa de encontrar “uma solução” para o caso.
“Não podemos permitir que um país se torne um lugar onde excluímos pessoas de eventos públicos. Estamos honestamente a dizer, como país, que estamos a proibir ou a impedir pessoas de participar em eventos públicos, como jogos de futebol ou concertos, devido à sua raça ou religião?”, questionou.
Salvaguardando-se, o ministro reconheceu depois que a decisão do Grupo Consultivo de Segurança (SAG, na sigla inglesa) de West Midlands — com base no parecer da polícia — é uma “questão operacional da polícia”. “O governo não se envolve em questões operacionais da polícia”, disse, afirmando ter “confiança absoluta” nas autoridades.
Comissário para a Polícia e Crime de West Midlands pediu “revisão imediata” da decisão
Simon Foster, Comissário para a Polícia e Crime de West Midlands, já se pronunciou sobre a decisão tomada na passada quinta-feira.
“A segurança e proteção de todas as pessoas e comunidades de West Midlands, incluindo os visitantes”, é a sua “principal prioridade”, garante, citado pelo mesmo canal. E isso é “absoluto, incondicional e inegociável”.
No entanto, decidiu pedir “uma reunião especial do SAG, na primeira oportunidade possível”, de forma a que seja feita “uma revisão imediata da decisão de proibir a presença de adeptos visitantes” no jogo de 6 de novembro.
A decisão tomada pelo Grupo Consultivo de Birmingham (apoiada pela polícia inglesa) surge pouco tempo depois de um ataque à sinagoga de Manchester, que fez dois mortos e três feridos. E em pleno clima de tensões em torno do acordo de cessar-fogo entre Israel e Gaza.
Notícia atualizada às 10h39