Demorou um ano, mas o cenário que muitos imaginaram quando Ruben Amorim deixou o Sporting e aceitou o desafio do Manchester United acabou por realizar-se: o português foi eleito o Treinador do Mês da Premier League, coroando as três vitórias seguidas alcançadas em outubro e um registo consecutivo inédito desde que chegou a Inglaterra. E a verdade é que, mesmo com as cautelas necessárias, o discurso do técnico começa a incluir algum otimismo.

Apesar de o Manchester United já ter interrompido a tal série de três vitórias consecutivas com um empate contra o Nottingham Forest no início de novembro, Ruben Amorim parece ter deixado para trás os dias em que recordava tudo e todos de que o clube teria de passar por um mau bocado antes de renascer. E este fim de semana, na antecâmara da visita ao Tottenham, o treinador português garantia que os red devils podem “ganhar qualquer jogo”.

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“Se temos essa oportunidade, vamos fazer tudo para ganhar. Vamos tentar chegar a todos os detalhes que nos permitam ganhar todos os jogos. Não quero falar sobre objetivos, está tudo ainda muito junto na classificação. Três semanas podem mudar tudo e mudaram tudo. Teríamos uma conversa completamente diferente há quatro semanas. Vamos concentrar-nos no próximo jogo e no que podemos fazer. Temos de nos concentrar em ganhar ao Tottenham. Podemos ganhar ao Tottenham? Acho que sim. E vamos fazer tudo para ganhar o próximo jogo”, explicou Amorim, que entrava para esta jornada no oitavo lugar da Premier League e a um ponto da zona de apuramento para as competições europeias.

Ora, neste contexto, o treinador português lançava Bryan Mbeumo como referência ofensiva, apoiado por Matheus Cunha e Amad Diallo, com Patrick Dorgu e Mazraoui nos corredores e Bruno Fernandes e Casemiro no meio-campo. Do outro lado, num Tottenham que entrava para o jogo exatamente com os mesmos pontos que o Manchester United, Thomas Frank tinha João Palhinha e Pedro Porro no onze, com Randal Kolo Muani destacado no ataque e Xavi Simons, Richarlison e Brennan Johnson a surgirem nas costas do avançado francês.

O jogo começou com algum estudo mútuo, sem grande perigo junto das balizas, e o primeiro verdadeiro susto foi criado por Richarlison, que ficou a centímetros de um desvio após cruzamento de Brennan Johnson (16′). O Tottenham parecia estar por cima nessa fase, com maior tranquilidade com bola e alguma superioridade, mas a verdade é que foi o Manchester United a abrir o marcador já depois da meia-hora: num lance de insistência, Amad Diallo cruzou a partir da direita e Mbeumo apareceu a cabecear para marcar (32′).

Os red devils cresceram depois de chegarem à vantagem e controlaram as ocorrências até ao fim da primeira parte — ao intervalo, o Manchester United estava a vencer o Tottenham em Londres num jogo onde foi letal na única verdadeira oportunidade que construiu, enquanto que os spurs pareciam não ter capacidade para concretizar os muitos cruzamentos que iam fazendo.

Thomas Frank mexeu logo no início da segunda parte e tirou Kolo Muani para lançar Wilson Odobert, com o Tottenham a dar a ideia de que tinha acordado: Senne Lemmens foi forçado a duas intervenções apertadas de forma praticamente consecutiva, depois de um desvio de Cuti Romero (54′) e um remate de João Palhinha (56′), e Ruben Amorim acabou por tirar Mazraoui para colocar Benjamin Sesko ainda antes de estar cumprida uma hora de jogo.

Brennan Johnson colocou a bola no fundo da baliza com um remate cruzado na área, mas o lance foi imediatamente anulado por fora de jogo (62′) e a verdade é que os spurs não conseguiram dar continuidade ao bom início de segunda parte, voltando a cair na competente organização defensiva da equipa de Ruben Amorim. Thomas Frank procurou novamente algo diferente com Destiny Udogie, que substituiu Pedro Porro, mas até foi Bruno Fernandes a ficar perto de aumentar a vantagem com uma tentativa de chapéu que passou por cima da trave (70′).

Ruben Amorim lançou Manuel Ugarte, Leny Yoro e Mason Mount de uma vez, colocando ainda Diogo Dalot pouco depois, e Thomas Frank fez all in com Mathys Tel e Bentancur. Quando tudo parecia quase decidido e algo adormecido, apareceu o empate: Udogie cruzou na esquerda, Tel segurou e rodou sobre De Ligt para atirar e marcar (84′).

Sesko saiu lesionado, o que fez com que os red devils terminassem em inferioridade numérica por já não terem substituições, e a reviravolta apareceu já nos descontos e por intermédio de Richarlison, que desviou um remate de Odobert e surpreendeu Senne Lemmens (90+1′). Quando os três pontos pareciam perdidos, porém, De Ligt surgiu a cabecear ao segundo poste depois de um canto na esquerda e igualou novamente o resultado (90+6′), com o Manchester United a empatar com o Tottenham em Londres e a somar a segunda jornada sem ganhar.