Os vereadores do PS na Câmara de Sintra expressaram, em comunicado, a “sua profunda rejeição” do acordo entre PSD/IL/PAN e o Chega, no executivo municipal, considerando que representa “um retrocesso político e ético inaceitável”.
“Este entendimento representa um retrocesso político e ético inaceitável num concelho que sempre se distinguiu pela defesa da liberdade, da tolerância e do diálogo democrático”, afirmaram, numa nota enviada esta segunda-feira à Lusa, os quatro eleitos socialistas.
Ana Mendes Godinho, Bruno Parreira, Filomena Pereira e Eduardo Quinta Nova reiteraram que o PS “esteve sempre disponível para encontrar com o presidente eleito uma solução de diálogo e de estabilidade no espaço do centro democrático”.
“Contudo, a opção do presidente Marco Almeida, do PSD, da Iniciativa Liberal e do PAN foi aliar-se à extrema-direita, cedendo às suas bandeiras e propostas”, acrescentaram.
Para os socialistas, “a governação de Sintra não pode ficar refém de jogos de poder nem de alianças construídas à custa dos valores fundamentais da Democracia, com vista à mera distribuição de lugares de gestão em empresas públicas e órgãos municipais para a simples satisfação de interesses pessoais”.
Nesse sentido, reafirmam o seu “compromisso com os sintrenses”, continuando “sempre a defender os interesses do município, com uma agenda progressista, responsável, transparente e promotora dos valores que sempre orientaram” a sua ação política.
“Sintra merece uma liderança que una, não que divida”, e “merece respeito”, concluíram.
O presidente da autarquia, eleito pela coligação PSD/IL/PAN justificou na sexta-feira, após a primeira reunião de câmara, o acordo firmado com o Chega para que dois eleitos assumam competências, com a necessidade de estabilidade no executivo.
“Eu fiz a minha parte, que foi falar com todos e desafiá-los. Houve uns que aceitaram e outros que não aceitaram. É este o dado concreto”, acrescentou Marco Almeida, que também conquistou quatro mandatos nas recentes eleições autárquicas.
“O PSD, a Iniciativa Liberal e o PAN, naturalmente, optaram por fazer um acordo com o Chega para o executivo. O PS estava completamente disponível para falar e para negociar, mas eles optaram pelo Chega”, afirmou à Lusa, na quinta-feira, Ana Mendes Godinho.
Na sequência do acordo, a vereadora Eunice Baeta viu a Iniciativa Liberal retirar-lhe a confiança política, por o partido discordar da entrega de pelouros ao Chega, e a autarca deve passar a independente.
O presidente da câmara explicou que se encontrou com Ana Mendes Godinho e Bruno Parreira e, como tinha sido “crítico da gestão autárquica” de Basílio Horta (PS), valeria a pena optar, “não fechando a porta” à participação noutras estruturas, que apenas ficassem com pelouros “os novos vereadores eleitos” da coligação PS/Livre.
Marco Almeida revelou que a “contraproposta que chegou” dava conta “de que pretendiam integrar os quatro vereadores e estabeleceu uma condição” de “que nunca governariam com o Chega”.
Rita Matias, que liderou a candidatura do Chega à câmara, mantém-se sem pelouros, para poder acumular o cargo de deputada, e Anabela Macedo fica com Polícia e Fiscalização Municipal, e Ricardo Aragão Pinto com Assuntos Europeus, Atividades Económicas e Mercados.
Andreia Bernardo (PSD/IL/PAN) tutela Habitação, Educação, Juventude e Desporto, Saúde, Solidariedade e Inovação Social e Administrativo, enquanto Eunice Baeta assume Contratação Pública, Inovação e Transformação Digital, Jurídico e Plano de Saúde, com Andreia Bernardo.
O social-democrata Francisco Duarte fica com Obras Municipais e Espaço Público, Intervenção nas Cidades e Reabilitação Urbana, Mobilidade e Transportes, Sustentabilidade Ambiental e Transição Energética, e Marco Almeida com as restantes áreas, entre as quais, Administração, Finanças e Património, Cultura, Recursos Humanos, Turismo, Planeamento e Gestão do Território, Saúde Pública e Proteção Civil.