O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez uma visita a Espanha esta terça-feira, tendo-se encontrado com o rei Felipe VI e o presidente do Governo, Pedro Sánchez. Após o encontro, o chefe do executivo espanhol anunciou que o país estava a preparar um valor que atinge os 817 milhões de euros para apoiar a Ucrânia em várias áreas. Só para a cooperação militar, disse, irá um total de 615 milhões, no âmbito de acordos bilaterais e de mecanismos criados pela NATO e pela União Europeia.

O anúncio foi feito por Sánchez, numa conferência de imprensa na sede do Governo espanhol, em Madrid, ao lado de Zelensky. Nela, o líder espanhol prometeu “apoio total e firme do Governo de Espanha” ao Executivo ucraniano até haver uma “paz justa e duradoura” na Ucrânia, atacada militarmente pela Rússia desde fevereiro de 2022, e até estar garantido “um horizonte europeu” para o país, que pretende aderir à União Europeia.

Espanha e Ucrânia assinaram em maio de 2014 um acordo bilateral para apoio militar regular a médio prazo de Madrid a Kiev e é nesse âmbito que serão desbloqueados nas próximas semanas 350 milhões de euros, de um total de mil milhões previstos para este ano, explicou Sánchez.

Juntam-se 100 milhões de euros para o mecanismo PURL, criado no seio da NATO (a Aliança Atlântica, de cooperação em defesa de países europeus e norte-americanos), através do qual os países membros vão financiar a compra de equipamento militar aos Estados Unidos para ser enviado para a Ucrânia.

Por fim, Espanha vai desbloquear 215 milhões de euros que serão canalizados para a Ucrânia através do programa europeu SAFE, de segurança e defesa.

Em paralelo, e para além de ajuda militar, o Governo espanhol destinará 200 milhões de euros a projetos de reconstrução de infraestruturas na Ucrânia, que envolverão empresas espanholas, disse ainda Pedro Sánchez.

Naquela que foi aa terceira passagem por Espanha desde fevereiro de 2022, Zelensky também se encontrou com o Rei Felipe VI.  O monarca, depois do encontro, contou que transmitiu ao Presidente o “apoio espanhol à Ucrânia em todos os âmbitos, diplomático, financeiro e militar, por todo o tempo que seja necessário”, noticiou a Europa Press.

Para além disso, Felipe VI realçou o apoio de Madrid à adesão de Kiev à UE, realçando que a Ucrânia tem tido “um caminho no qual realizou grandes progressos, conforme consta do relatório de alargamento da Comissão Europeia de 4 de novembro passado”.

O Presidente passou ainda pelo parlamento espanhol, reuniu-se com representantes da indústria da defesa de Espanha e visitou o museu de arte contemporânea Rainha Sofía, para ver o quadro de Pablo Picasso “Guernica”, que invoca o bombardeamento da cidade com o mesmo nome, durante a guerra civil espanhola de 1936-1939.

A seguir a Espanha, Zelensky vai à Turquia

A visita a Espanha seguiu-se a outras que Zelensky fez nos últimos dias à Grécia e a França, em busca de novos apoios de parceiros europeus, sobretudo para responder a necessidades urgentes face à chegada do inverno, e precede outra à Turquia, onde se vai reunir com o Presidente Recep Tayyip Erdogan e tentar reativar conversações com a Rússia e com os Estados Unidos com vista a um acordo de paz.

“Sobretudo falaremos sobre as possibilidades maximalistas para a Ucrânia conseguir obter a paz justa“, disse Zelensky, em resposta a perguntas dos jornalistas em Madrid, segundo a tradução simultânea para espanhola das declarações que fez em ucraniano.

“Será uma reunião possivelmente longa, possivelmente complicada, possivelmente curta. Veremos”, acrescentou, antes de dizer que acredita ter uma “boa relação” com Erdogan.

Numa publicação nas redes sociais na manhã desta terça, em que anunciou a deslocação à Turquia, Zelensky disse que a ida a Ancara visa “reavivar as negociações e elaborar soluções” para propor a países parceiros da Ucrânia.

A Turquia, que mantém laços com Kiev e Moscovo, já acolheu várias rondas de negociações, mas que não permitiram avanços significativos, exceto um acordo sobre a troca de prisioneiros de guerra.

“Fazer tudo o que é possível para alcançar o fim da guerra é a principal prioridade da Ucrânia. Estamos também a trabalhar para retomar as trocas de prisioneiros de guerra e trazer os nossos prisioneiros de volta para casa”, referiu o líder ucraniano.

Na conferência de imprensa em Madrid, Zelensky agradeceu o apoio de Espanha e de outros parceiros europeus e sublinhou que a Ucrânia continua a viver “momentos difíceis”, com “ataques constantes por parte da Rússia“, e precisa especialmente de recursos para enfrentar o inverno, atendendo, por exemplo, aos danos e destruição de infraestruturas de abastecimento e assistência às populações.