O antigo secretário do Tesouro dos EUA Larry Summers decidiu afastar-se temporariamente das suas funções académicas em Harvard após as revelações públicas acerca da relação de proximidade que tinha com Jeffrey Epstein. Depois de garantir que não deixaria de dar aulas, na terça-feira, o economista acabou por mudar de posição, pedindo uma licença sem vencimento da universidade da qual chegou a ser presidente.
Nas últimas semanas vieram a público emails que mostram que Summers manteve um contacto próximo com Epstein durante vários anos, incluindo depois de este ter sido condenado, em 2008, por crimes sexuais envolvendo menores — algo que reacendeu críticas e pressões externas sobre o economista e sobre a própria universidade. Epstein viria a morrer na cadeia em 2019, alegadamente por suicídio, mas a divulgação das suas comunicações tem dominado a atualidade política nos EUA nas últimas semanas.
Inicialmente, Summers tinha apenas suspendido compromissos públicos e cortado relações com a OpenAI, onde desempenhava funções na administração, assegurando que continuaria a dar aulas. No entanto, a polémica cresceu rapidamente: Harvard anunciou que iria abrir uma investigação às ligações do ex-presidente da instituição a Epstein, e vários académicos e figuras políticas — entre elas a senadora Elizabeth Warren — defenderam que Summers não deveria manter posições de influência enquanto a situação não fosse esclarecida.
Perante este clima, Summers comunicou à universidade que se retiraria tanto do ensino como da direção do Mossavar-Rahmani Center for Business and Government, que liderava na Kennedy School (Harvard).
A decisão surgiu após uma aparição numa aula que causou surpresa entre estudantes, vários dos quais filmaram o momento e colocaram nas redes sociais. Nessa sessão, o economista – que chegou a ser apontado como possível presidente da Reserva Federal dos EUA há poucos anos – reconheceu sentir vergonha pela forma como se relacionou com Epstein e afirmou que iria afastar-se temporariamente da vida pública.
Harvard também confirmou, oficialmente, o afastamento e indicou que os colegas de Summers irão assumir as suas responsabilidades letivas até ao final do semestre. Embora não estivesse previsto que ensinasse no período seguinte, o episódio reacendeu o debate sobre a forma como instituições de elite lidam com figuras de grande influência envolvidas em polémicas éticas.
No âmbito do caso Epstein, que foi condenado por abusos e tráfico sexual, foram divulgados cerca de 23 mil documentos na semana passada, incluindo vários emails. Tornou-se público que Summers mantinha uma relação amigável com Epstein, incluindo até troca de conselhos para relações amorosas com pelo menos uma antiga aluna.
O The New York Times também cortou as relações com Larry Summers, que desde janeiro de 2025 era cronista na publicação. “Não temos intenções de renovar o seu contrato. Agradecemos-lhe pelos seus contributos”, declarou Charlie Stadtlander, diretor executivo para relações de media e comunicação do jornal. Summers tinha um contrato anual com o jornal.