O plano de 28 pontos da adminstração Trump para acabar com a guerra na Ucrânia implica a entrega de território no leste da Ucrânia que não está controlado militarmente em troca de futuras garantias de segurança para Kiev e até para a Europa, indicou um representante do governo norte-americano ao jornal digital Axios.
O documento dos EUA implica que a Rússia passe a controlar a totalidade do Donbass — nome dado ao conjunto das regiões de Donetsk e Luhansk — e a parte das regiões de Kherson e Zaporíjia, que as forças de Moscovo atualmente controlam no terreno, cristalizando as linhas de batalha atuais.
Apesar do controlo russo, lê-se, o Donbass passaria a ser uma zona desmilitarizada e seria reconhecido, juntamente com a Crimeia, como parte da Rússia pelos EUA e por vários países. Porém, a Ucrânia não seria obrigada a fazer esse reconhecimento.
O plano limitaria ainda o tamanho do exército ucraniano e o uso de armas de longa distância, indicou uma fonte ucraniana ao órgão. À agência de notícias France-Presse, um responsável ucraniano indicou que o número de membros do exército seria mesmo limitado a um máximo de 400 mil pessoas.
Segundo o oficial norte-americano, a Casa Branca acredita que a Ucrânia irá perder a guerra de qualquer forma. “Portanto, é do interesse da Ucrânia chegar a um acordo agora”, indicou.
Rússia e EUA trabalham em segredo. Kiev negociou mas diz discordar
A proposta está a ser desenhada e encabeçada pelo enviado norte-americano Steve Witkoff, que estará a colaborar em segredo com o enviado russo Kirill Dmitriev, noticiou também o referido site. À Axios, um alto responsável russo disse mesmo estar “otimista” com este esboço.
Porém, este sábado, alguns dos pontos foram discutidos e negociados com o conselheiro de segurança de Zelensky, Rustem Umerov, que terá recebido poder negocial vindo diretamente do Presidente ucraniano.
Umerov e Witkoff terão chegado a “muito entendimentos”, segundo uma fonte norte-americana que falou ao Axios. O conselheiro de Zelensky acabou por receber um relato oral de Witkoff sobre as ideias da Casa Branca para o plano na reunião. Antes da reunião, Witkoff terá discutido “extensivamente” a sua proposta com o enviado russo, lê-se.
Ao mesmo site, um responsável ucraniano negou qualquer entendimento sobre os pontos apresentados e disse que a Ucrânia discordava de vários pontos da proposta.
Witkoff terá cancelado viagem por recuo de Zelensky
A participação da Turquia na mediação Rússia-Ucrânia-EUA iria ficar marcada por uma reunião trilateral com Zelensky, Witkoff e o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, em Ancara, indicou a Axios.
Porém, Witkoff não viajou para a capital turca e o encontro trilateral foi adiado. Washington e Kiev parecem discordar sobre as razões para esse facto. Segundo um oficial norte-americano, na raiz do adiamento está o facto de o Presidente Zelensky ter recuado face aos entendimentos alcançados por Witkoff e Umerov.
Já uma fonte ucraniana indicou que Zelensky queria discutir o esboço norte-americano num formato mais largo, juntando-se aos parceiros europeus. No entanto, o oficial norte-americano alegou que o líder ucraniano iria viajar já com um plano próprio desenhado com os aliados da Europa, que a Rússia nunca iria aceitar.