A Fundação Portugal com ACNUR está a angariar fundos para os refugiados no Chade através da sua campanha de Natal deste ano, denominada “Um presente, dois milhões de futuros”, declarou esta quinta-feira à Lusa a diretora nacional, Soraya Ventura.
“O Chade é um país que está no coração de África. Faz fronteira com a Nigéria, o Sudão, a República Centro-Africana, os Camarões e a Líbia, mas as pessoas não conhecem muito bem este país que, na verdade, enfrenta uma das maiores crises humanitárias da atualidade”, contextualizou Soraya Ventura.
Segundo a ativista em direitos humanos, esta crise no Chade não é “muito mediática”, mas não é por isso que “não é importante”, até porque este país, que já enfrenta dificuldades internas, acolhe mais de “dois milhões de refugiados”, sendo que cerca de 1,2 milhões são sudaneses, fugidos da guerra que aflige o seu país desde 15 de abril de 2023.
“O Chade está em crise, e é uma crise invisível, há muitos anos. E a maioria dessas pessoas [refugiadas] que estão ali no Chade são crianças e mulheres, que sofrem e que fogem dos conflitos dos países fronteiriços”, reiterou.
Devido a esta conjuntura, a Fundação Portugal com ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) decidiu evidenciar esta crise humanitária através da sua campanha de Natal “Um presente, dois milhões de futuros”, frisou a responsável pela organização.
A campanha de Natal já está disponível no site da fundação e dura até 31 de dezembro.
As pessoas, em Portugal, poderão ajudar monetariamente através da modalidade “pontual” ou “mensal”, disponíveis online, com o valor que conseguirem.
“Com 24 euros você consegue dar duas refeições diárias a duas pessoas no Chade. Com 57 euros você conseguiria dar um ‘kit dignidade’ a três mulheres durante um ano”, exemplificou.
Quando a campanha terminar, o valor recolhido será transferido integralmente ao ACNUR, que por sua vez o irá gerir e alocar ao Chade.
“Todas as informações sobre questões financeiras estão disponíveis no nosso site, na parte referente à transparência, e os nossos doadores regulares recebem os nossos relatórios”, frisou a responsável.
O Chade teve, até ao momento, apenas 30% do financiamento anual necessário para colmatar as necessidades humanitárias, referiu.
Por fim, Soraya Ventura frisou ainda que os portugueses e a comunidade internacional que vive em Portugal são muito abertos à ajuda humanitária, apesar da conjuntura económica que o país vive.