A milícia paramilitar do Sudão Forças de Apoio Rápido (RSF na sigla inglesa) anunciou, em comunicado, que vai levar a cabo uma “trégua humanitária unilateral” com a duração de três meses. A decisão surge um dia depois de o líder do Exército sudanês rejeitar a proposta de cessar-fogo apresentado pelo grupo Quad (composto pelos Estados Unidos da América, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos).

“Em resposta aos esforços internacionais, nomeadamente à iniciativa do presidente americano Donald Trump e dos mediadores (…), anunciamos uma trégua humanitária que prevê a cessação das hostilidades durante três meses”, anunciou o chefe da RSF, o general Mohamed Hamdane Daglo num discurso gravado em vídeo e citado pela rádio francesa RFI.

Depois de dois anos em guerra pelo poder, no início deste mês de novembro foi emitido um comunicado no qual a RSF dizia estar aberta a negociações para alcançar a paz. Além disto, a milícia dizia também ter aceitado uma proposta inicial de cessar-fogo apresentada pelo grupo Quad (Diálogo Quadrilateral de Segurança), constituído pelos EUA, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

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No entanto, no passado domingo, o Exército do Sudão rejeitou a proposta, alegando que o envolvimento dos Emirados Árabes Unidos no grupo mediador é tendencioso e que a proposta apresentada tem como objetivo final eliminar o exército do Sudão.

A proposta “elimina efetivamente a existência das forças armadas e [prevê] a dissolução de todas as agências de segurança”, ao mesmo tempo que “mantém a milícia rebelde nas suas posições”, disse o líder do exército Abdel Fattah al-Burhan, citado pela Al Jazeera.

Esta segunda-feira, 24 horas depois da rejeição das Forças Armadas sudanesas, a RSF disse que iria, unilateralmente, avançar para um trégua de caráter temporário.