A denúncia do “crime hediondo” foi feita pela Rede de Médicos Sudaneses esta quarta-feira. As tropas paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF) levaram a cabo um massacre, na terça-feira, dentro do Hospital Saudita na localidade de El Fasher, uma zona que é atualmente o centro do conflito entre as RSF e as tropas do Sudão. “Mataram toda a gente a sangue frio, incluindo pacientes, os seus companheiros, e toda a gente presente nas instalações. Os hospitais em El Fasher transformaram-se em matadouros humanos às mãos das RSF, que não fazem distinção entre combatentes e pacientes, ou entre crianças e médicos.”

O líder dos paramilitares sudaneses, o general Mohamed Daglo, reconheceu esta quarta-feira que está em curso uma “catástrofe” em Al-Fashir, bastião do Darfur tomado no domingo pelas RSF. Ainda que não tenha comentado o massacre no Hospital Saudita em concreto, o chefe das Forças de Apoio Rápido justificou que a “guerra lhes foi imposta” — e que têm de tomar medidas drásticas. “Exigimos que todos aqueles que cometeram erros prestem contas.”

No total, já terão morrido pelo menos 1.500 civis no Darfur, desde que as Forças de Apoio Rápido ocuparam parcialmente o território desde domingo. Num comunicado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstrou preocupação com “a escalada de violência, as condições de cerco, o aumento da fome e as doenças que estão a matar civis, incluindo crianças e o colapso de um sistema de saúde já frágil” em Al-Fashir.

A OMS também detalhou que, no domingo, o Hospital Saudita tinha sido “atacado pela quarta vez num mês”: “Uma enfermeira foi morta e três pessoas ficaram feridas”. Dois dias depois, esta terça-feira, o mesmo hospital deu conta de que “seis funcionários, quatro médicos, uma enfermeira e um farmacêutico foram raptados”. Horas mais tarde, de acordo com as Nações Unidas, mais de 460 pacientes “foram alvejados e mortos no hospital”.

“A OMS condena nos termos mais fortes os ataques horríveis nos cuidados de saúde e apela ao respeito dos sistemas de saúde que estão protegidos à luz do Direito Internacional Humanitário”, destaca a organização, que garante que, apesar das “restrições da acesso”, as equipas da Organização Mundial da Saúde “continuam a trabalhar diligentemente para manter os serviços de saúde a funcionar, particularmente em áreas onde os refugiados chegam”.

Também a Cruz Vermelha se declarou “profundamente chocada com as crescentes informações da comunicação social, fontes públicas e testemunhos diretos sobre as atrocidades horríveis e o imenso sofrimento” infligido aos habitantes de Al-Fashir. “Mais de 2.000 civis foram mortos durante a invasão da milícia [das RSF] em Al-Fashir, que teve como alvo mesquitas e voluntários da Cruz Vermelha”, alegou Mona Nour Al-Daem, responsável pela ajuda humanitária do Governo pró-exército.

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