Uma mulher e nove crianças morreram esta terça-feira, na sequência de ataques paquistaneses no Afeganistão, num momento de tensão crescente entre os dois países vizinhos.
“Por volta da meia-noite [19h30 de segunda-feira em Lisboa] (…) na província de Khost, as forças paquistanesas bombardearam a casa de um civil (…). Nove crianças (cinco meninos e quatro meninas) e uma mulher foram mortas”, escreveu o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, na rede social X.
شب گذشته ساعت ۱۲ در ولسوالی گربزو ولایت خوست، منطقه مغلګۍ، قوای متجاوز پاکستانی خانهی یکی از باشندگان ملکی محل به نام ولایتخان ولد قاضیمیر را بمباران کرد که در نتیجه ۹ کودک (۵ پسر و ۴ دختر) و یک خانم شهید شدند و خانهاش ویران گردید.
— Zabihullah (..ذبـــــیح الله م ) (@Zabehulah_M33) November 25, 2025
Mujahid deu conta de outros ataques nas regiões de Kunar e Paktika, também no leste do país, que deixaram quatro pessoas feridas.
Os ataques ocorrem um dia após um atentado suicida contra um quartel-general das forças de segurança paquistanesas numa província fronteiriça com o Afeganistão. Para já, nenhum grupo reivindicou a autoria deste ataque.
Os agressores “serão encontrados e punidos”, afirmou o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, reiterando o compromisso de “erradicar o terrorismo”, enquanto a emissora estatal paquistanesa PTV informou que os atacantes seriam “cidadãos afegãos”.
A 11 de novembro, outro ataque à frente de um tribunal em Islamabade deixou 12 mortos e dezenas de feridos.
O ataque foi reivindicado pelos talibãs paquistaneses, que partilham a mesma ideologia do regime talibã que tomou o poder em Cabul em 2021.
As relações entre o Paquistão e o Afeganistão, já tensas desde o retorno dos talibãs ao poder em Cabul, deterioraram-se ainda mais recentemente devido a problemas recorrentes de segurança e migração.
Após um confronto armado excecionalmente intenso em outubro, que deixou aproximadamente 70 mortos, os dois países reuniram-se para várias rondas de negociações, que culminaram numa trégua.
No entanto, trata-se de uma trégua frágil, com contornos que permanecem incertos, uma vez que, apesar da mediação do Qatar e da Turquia, Cabul e Islamabade não conseguiram consolidá-la devido a questões de segurança.
Islamabade, que enfrenta uma onda de ataques contra as forças de segurança, acusa incessantemente o vizinho afegão de abrigar grupos terroristas, principalmente os talibãs paquistaneses.
Cabul, que nega as acusações, acusa simultaneamente o Paquistão de abrigar grupos armados hostis e afirma que os ataques contra as forças de segurança paquistanesas são uma questão interna do país vizinho, sobre a qual não tem controlo.
A extensa fronteira de 2.600 quilómetros entre os dois países está fechada desde 12 de outubro, bloqueando importantes rotas comerciais bilaterais.