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Três agentes da Guarda de Fronteira israelita saíram esta sexta-feira em liberdade após oito horas de interrogatório sobre o seu alegado envolvimento na execução de dois palestinianos desarmados, na quinta-feira na Cisjordânia, que ficou registada em imagens vídeo.
Os agentes ficam porém proibidos de contactar outras pessoas envolvidas neste caso, segundo o portal de notícias israelita Ynet.
A advogada que representa os três suspeitos, Sharon Nahari, segue a linha de defesa de que os agentes “agiram de acordo com as instruções legais quando não tinham outra opção”, uma vez que sentiram que as suas vidas “estavam em perigo e abriram fogo”, de acordo com o Ynet.
O exército israelita afirmou esta quinta-feira que está a investigar alegadas execuções pelos seus militares de dois homens na Cisjordânia, após a divulgação de um vídeo deste episódio que a Autoridade Palestiniana enquadra como um “crime de guerra”.
No vídeo, são vistos dois homens a sair de um edifício que parece um armazém e que ficam de joelhos e de mãos na nuca, rodeados de homens fardados apontando-lhes as suas armas.
Mais adiante, ouvem-se vários tiros disparados pelos homens fardados sobre os detidos, que não pareciam oferecer qualquer resistência e que caem por terra imóveis.
Órgãos de comunicação social israelitas e palestinianos transmitiram as imagens, como foi o caso do canal al-Quds, que garantiu que a cena foi filmada por jornalistas locais a centenas de metros de distância.
Um jornalista da agência France-Presse (AFP) presente no local também captou parte do sucedido.
Um comunicado do exército israelita descreveu pelo seu lado que, durante uma operação nesta cidade, um bastião de grupos armados palestinianos, as suas tropas cercaram um edifício onde se encontravam “indivíduos procurados” e “iniciaram um procedimento de rendição”.
O comunicado relatou ainda que, depois de saírem, “foram disparados tiros contra os suspeitos”, acrescentando que “o incidente está sob investigação”.
O jornal The Times of Israel noticiou que os agentes da Guarda de Fronteira envolvidos no caso alegam que as vítimas palestinianas não seguiram as suas instruções.
“Quando os terroristas [suspeitos] saíram, começámos a realizar os procedimentos de segurança. Não sabíamos se tinham armas ou algum tipo de engenho explosivo. Começámos a instruí-los sobre o que fazer, e os terroristas agiram contra as ordens que receberam”, contaram os soldados, citados pela Rádio do Exército.
A dada altura, prosseguiram, “um dos terroristas decidiu voltar para o interior do edifício, contrariando as instruções, e o segundo terrorista seguiu-o, e por isso ambos foram atingidos”.
O ministro da Segurança Nacional israelita, o ultrarradical Ben Gvir, já expressou o seu “apoio total” aos militares envolvidos.
“Os soldados agiram exatamente como esperado: os terroristas devem morrer!”, afirmou o governante da ala de extrema-direita do Governo de coligação chefiado por Benjamin Netanyahu, que ainda não se pronunciou sobre o caso.
A Autoridade Palestiniana, por sua vez, anunciou a morte de dois homens, de 26 e 37 anos, vítimas de disparos israelitas em Jenin, tendo partilhado igualmente o conteúdo do vídeo.
“O Ministério dos Negócios Estrangeiros condena veementemente o crime hediondo de execução sumária perpetrado pelo exército de ocupação israelita”, acusou a diplomacia palestiniana, num comunicado.
Este caso, acrescentou o ministério, constitui “um crime de guerra documentado e completo, e uma violação flagrante de todas as leis, convenções internacionais, normas e valores humanos”.
O grupo islamita Hamas, que gere a Faixa de Gaza desde 2007, também condenou o episódio, que diz corresponder ao “total desprezo pelo sangue palestiniano”, em violação de todas as leis e normas humanitárias.
“A execução a sangue frio de dois jovens palestinianos desarmados em Jenin pelas forças de ocupação, apesar de terem saído de casa e não representarem qualquer ameaça, expõe mais uma vez a mentalidade criminosa que rege o comportamento da ocupação”, acusou o Hamas, referindo-se a Israel.
Os islamitas acreditam que “este crime não é um incidente isolado, mas um novo elo numa campanha sistemática de extermínio e limpeza étnica” de Israel contra o povo da Cisjordânia, “numa tentativa desesperada de implementar o seu plano de anexação e deslocação”.
A Cisjordânia atravessa desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em 07 de outubro de 2023, uma escalada de violência associada à expansão da ocupação israelita e agressões contra a população palestiniana e destruição de bens.
De acordo com dados das Nações Unidas, mais de mil palestinianos morreram na Cisjordânia desde 07 de outubro de 2023 e meados de novembro deste ano em ataques atribuídos ao exército e colonos judeus.
Outubro registou mais ataques de colonos na Cisjordânia (264) do que qualquer outro mês desde a recolha de dados em 2006, coincidindo com raides de habitantes judeus violentos nos olivais do território durante a última campanha de colheita de azeitonas.
(Atualizada com mais informação às 00h05)