O Presidente do Brasil, Lula da Silva, anfitrião da cimeira do Mercosul, espera que o bloco possa fechar o acordo com a União Europeia em janeiro, fazendo fé das palavras que disse ter ouvido da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de que França sozinha não conseguia impedir o acordo.
No discurso inaugural da cimeira do Mercosul indicou que “todos sabíamos a posição de França, histórica [de oposição ao acordo], mas na última semana “surgiu um problema com Itália, dentro a própria União Europeia”, porque, explicou o Presidente brasileiro, “Meloni dizia que a distribuição de verba para agricultura da UE estava a prejudicar Itália e ela estava com problemas, que não podia assinar o acordo”.
Mas, indicou ainda, ter recebido indicação da Europa de que no começo de janeiro estaria pronta a assinar. “Se faltar só França não haverá possibilidade de França sozinha impedir o acordo”, declarou, admitindo que o acordo pode ser assinado no primeiro mês da Presidência do Paraguai do Mercosul. “Vamos torcer que as coisas aconteçam para o bem do nosso Mercosul, do multilaterialismo e do desenvolvimento dos nossos países”, declarou, depois de ter dito que a cimeira tinha ficado marcada para 20 de dezembro a pedido da Comissão Europeia para que o acordo entre os blocos pudesse ser assinado. Só que não foi.
“Mas infelizmente a Europa ainda não se decidiu. Líderes europeus pediram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção agrícola”, falando numa carta recebida com a assinatura da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestando a expectativa do acordo ser aprovado em janeiro. “Sem vontade política e coragem dos dirigentes não será possível concluir uma negociação que já se arrasta por 26 anos.
“Desde a última cúpula os fundamentos do comércio internacional foram gravemente abalados”, mas apesar disso o bloco aumentou os negócios. É, indicou o Presidente brasileiro, um bloco procurado como alternativa. E por isso ao fim de 26 anos de negociação “esperávamos para assinar finalmente o acordo de associação com a UE”. “Aceitamos a adoção de quotas a produtos agropecuários e o estabelecimento de um mecanismo de salvaguardas, resguardando o nosso direito de reciprocidade. Chegámos a um entendimento vantajoso para os dois lados”. E seria uma mensagem importante ao mundo, “na defesa do multilateralismo”.
Enquanto isso “o Mercosul continuará a trabalhar com outros parceiros”, indicou Lula, no discurso de abertura da cimeira Mercosul, referindo-se ao interesse em acordos comerciais de outros países com o bloco formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Índia, Canadá, Japão, Emirados Árabes são alguns dos exemplos. E até a outros países sul-americanos, como Colômbia e Equador. “O comércio intraregional na América do Sul está muito aquém do seu potencial, 15% do fluxo, enquanto na Ásia e Europa representa 60%”.
Segundo tem sido anunciado, o acordo poderá ser assinado a 12 de janeiro no Paraguai.