Um funcionário do Palácio do Eliseu, que era responsável pela proteção da louça da residência oficial do Presidente francês, foi detido e acusado de roubar centenas de peças de prata e porcelana.

O homem, identificado como Thomas M., foi acusado de roubo pela Procuradoria de Paris e irá a julgamento em fevereiro de 2026. Tinha o título de mordomo presidencial responsável pela louça do Eliseu há cerca de cinco anos, sendo responsável pela manutenção das peças e gestão do inventário.

Thomas M., com cerca de 40 anos, é suspeito de ter furtado mais de cem peças de porcelana e prata ao longo de dois anos. Estima-se que o valor destes objetos, vários deles peças históricas, possa oscilar entre 15 mil e 40 mil euros.

A notícia da detenção do mordomo presidencial foi avançada pelo jornal francês Le Parisien. O funcionário do Eliseu terá tido o auxílio de outros dois homens: Damien G., companheiro de Thomas M. e negociante de arte; e Ghislain M., residente em Versalhes e funcionário do Museu do Louvre. Os três foram detidos esta terça-feira, escreve o Figaro.

O jornal ressalva que Ghislain M. não terá ligação ao assalto ao Louvre, em outubro. O homem trabalhava como segurança. O tribunal proibiu o homem, com cerca de 30 anos, de trabalhar no museu. Ao Figaro, o Louvre revelou que não foi “formalmente notificado pelos tribunais” e que, por isso, o “museu não possui, no momento, nenhuma informação a respeito das alegações divulgadas pela imprensa”. Mas, caso se confirmem, a instituição afirma que tomará “todas as medidas necessárias”.

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Thomas Malvolti, advogado de Ghislain M., revelou ao Figaro que, ao início, terão sido “oferecidas” ao seu cliente “peças que não eram particularmente valiosas”. “Depois, à medida que a qualidade aumentava, ele começou a suspeitar de algo”, disse o advogado. Malvolti rejeitou que o cliente seja um traficante de arte, dizendo que se deixou levar “pela sua paixão” por antiguidades e, em especial, porcelanas da Sèvres. Esta é uma conhecida fábrica de porcelana que pertence ao Estado francês desde 1759.

Os três homens confessaram os furtos e prometeram devolver as peças. Foram encontrados cem objetos no cacifo, carro e casa de Thomas M. e também na casa de Versalhes de Ghislain M.. O mordomo terá desviado panelas de cobre e peças da Sèvres do Palácio do Eliseu. Foram ainda encontrados vários copos de champanhe Baccarat e uma estatueta do vidreiro e joalheiro francês René Lalique.

O jornal francês avançou que a investigação sobre os furtos é recente. Os alarmes terão soado quando os desaparecimentos de peças se foram tornando recorrentes.

Já a Reuters escreve que terá sido a própria Sèvres a detetar algumas peças à venda online, nomeadamente na Vinted. Os procuradores parisienses encontraram à venda na plataforma uma placa com o carimbo da Força Aérea Francesa e alguns cinzeiros — peças que não seria normal encontrar à venda ao grande público. A plataforma de compra e venda de artigos usados ainda não se pronunciou.

Os três homens vão a julgamento a 26 de fevereiro de 2026. Estão sob supervisão judicial e proibidos de contactar entre si. O mordomo do Palácio do Eliseu demitiu-se em novembro.