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Israel anunciou na sexta-feira o reconhecimento do Estado da Somalilândia, uma região separatista da Somália, o que gerou condenações de países como Somália, Arábia Saudita, Egito, Turquia e Djibouti.
“Esta declaração está em consonância com o espírito dos Acordos de Abraão assinados por iniciativa do presidente Trump”, afirmou o gabinete de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, acrescentando que Israel “planeia expandir imediatamente a cooperação nas áreas da agricultura, saúde, tecnologia e economia”.
“Ao longo do último ano, com base num diálogo extenso e contínuo, as relações entre Israel e a Somalilândia tomaram forma”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Sa’ar, na rede social X. Os acordos, assinados em 2020 após mediação da primeira Administração de Trump, levaram Israel a formalizar relações diplomáticas com os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão.
I was glad to speak just now with the President of Somaliland Abdirahman Mohamed Abdullahi, on this important day for both countries.
Over the past year, based on an extensive and ongoing dialogue, relations between Israel and Somaliland have taken shape. Following the decision… pic.twitter.com/jHnfIPpoyR— Gideon Sa'ar | גדעון סער (@gidonsaar) December 26, 2025
A Somalilândia é um Estado autoproclamado em 1991 que faz parte do território da Somália, na zona de fronteira com o Djibuti e a Etiópia. Este reconhecimento por Israel agravou as tensões regionais, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Somália a acusar Israel de um “ataque deliberado” à sua soberania. “Ações ilegítimas dessa natureza prejudicam gravemente a paz e a estabilidade regional, exacerbando as tensões políticas e de segurança», afirmou, citado no Times of Israel.
Já este sábado, numa entrevista à Aljazeera, Ali Omar voltou a insistir: “Nunca será aceitável ou tolerável para o nosso governo e povo, que estão unidos na defesa da nossa integridade territorial”. O ministro da Somália garante que o governo vai recorrer a todos os meios diplomáticos disponíveis para contestar o que descreveu como um ato de “agressão estatal” e interferência israelita nos assuntos internos do país. “O nosso governo recomenda veementemente ao Estado de Israel que rescinda as suas ações divisórias e cumpra o direito internacional”, sublinha.
Omar acusa Israel de procurar o reconhecimento da Somalilândia para deslocar os palestinianos de Gaza. “Um dos fatores motivadores é o deslocamento dos palestinianos de Gaza”, disse à Al Jazeera. “É amplamente conhecido o objetivo de Israel nessa questão.”
Arábia Saudita, Egito, Turquia e Djibouti condenam o reconhecimento da Somalilândia por Israel
Os ministros dos Negócios Estrangeiros do Egito, Turquia e Djibouti também condenaram o reconhecimento do Estado da Somalilândia por Israel. “Os ministros afirmaram a sua total rejeição e condenação do reconhecimento de Israel da região da Somalilândia, salientando o seu total apoio à unidade, soberania e integridade territorial da Somália”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito em comunicado citado no Times of Israel.
A Arábia Saudita também descreveu esta decisão como uma medida separatista unilateral que infringe o direito internacional e reafirmou o seu apoio à soberania da Somália.