Elkana Bohbot foi capturado pelo Hamas no Nova Festival, em outubro de 2023. Ficou em cativeiro 738 dias e durante esse tempo foi forçado a gravar quatro vídeos nos túneis de Gaza para onde foi levado. O israelita revela agora que, à época, gravou ainda um quinto vídeo, o mais violento de todos, que nunca chegou a ser publicado: “Foram longe demais. Espancaram-nos porque queriam que ficássemos feridos para as filmagens… Queriam filmar-nos após uma suposta tentativa de suicídio.”

Quando foi raptado, Elkana Bohbot tinha 36 anos. Vivia nos subúrbios de Jerusalém com a mulher Rivka e o filho Reem, e sonhava abrir uma gelataria em Telavive. Agora, o israelita conta que vive “um dia de cada vez”. “Às vezes acordo a meio da noite com pensamentos, memórias, imagens de morte, túneis, terroristas. E vou dormir com esses pensamentos”, relatou em entrevista ao jornal Yedioth Ahronoth.

Durante o tempo em que esteve em cativeiro, Elkana Bohbot foi forçado a gravar vários vídeos. Num deles, divulgado em abril, era retratada uma alegada chamada entre o israelita feito refém e a sua mulher, filho, mãe e irmãos.

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Mas o pior vídeo de todos nunca foi publicado. “Eles ditavam tudo o que tínhamos de dizer, mas os gritos [que surgiam no vídeo] eram reais. No vídeo que nunca foi divulgado, eles [Hamas] foram ao extremo”, começa por contar. Elkana Bohbot diz que não passou por isto sozinho: ao seu lado estava um outro refém, cujo nome não revelou. “Fizeram-nos sangrar das mãos. Espancaram-nos porque queriam que ficássemos feridos para as filmagens. Queriam simular cenas de suicídio.”

“Na verdade, queriam filmar-nos após uma suposta tentativa de suicídio e, para isso, feriram-me a mão”, relata, enquanto olha para as marcas que ainda hoje tem.

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“Nos últimos seis meses de cativeiro, a situação tornou-se ainda mais difícil. Fizeram-nos passar fome e chegámos a estados extremos. Assediavam-nos constantemente. Queriam magoar-nos o máximo possível e conseguiram. Tudo isto acontecia enquanto bombas caíam perto de nós, a poucos metros de distância. O túnel tremia e eu tinha a certeza de que ia ficar enterrado vivo ali. Tinha medo.”

Na entrevista ao jornal Yedioth Ahronoth, Elkana Bohbot conta ainda que, enquanto esteve em cativeiro, atingiu “estados de dissociação e paralisia”. “Como soldado, sabia que, se fosse capturado, iria sofrer abusos físicos. Mas mentalmente não estava preparado e isso destruiu-me”, conta.

Os membros do Hamas rapidamente descobriram o seu ponto fraco: a família. E usaram isso para torturar Elkana Bohbot. “Disseram-me que a minha mãe estava morta. Que a Rivka me tinha deixado e que também estava morta. Um deles perguntou-me, uma vez, o nome do meu filho e, quando respondi, disse: ‘Rezo para que o teu filho morra’, e ajoelhou-se e começou a rezar à minha frente.”