O novo autarca de Nova Iorque, o democrata Zohran Mamdani, estreou-se no cargo com vários decretos executivos para lidar com a crise da habitação na maior cidade dos Estados Unidos, além de revogar algumas medidas do antecessor, uma delas proibia as agências municipais de boicotar ou desinvestir em Israel.

Mamdani assinou na quinta-feira três decretos, incluindo um para revitalizar o Gabinete de Proteção do Inquilino. O muçulmano de 34 anos nomeou ainda Cea Weaver, ativista da habitação pública, como diretora do Gabinete, que defenderá os inquilinos contra os proprietários e garantirá a rápida atuação dos organismos municipais em áreas com condições inseguras ou ilegais, segundo um comunicado de imprensa.

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Ao lado de Weaver, Mamdani anunciou a primeira grande ação: intervir no processo de falência da Pinnacle Realty, uma empresa de arrendamento com milhares de violações e reclamações em 83 edifícios, e que deve dinheiro à autarquia, para proteger os inquilinos.

Mamdani realizou uma conferência de imprensa num dos edifícios da Pinnacle Realty e mostrou as condições precárias enfrentadas pelos moradores, antes de entregar a ação contra empresa ao consultor jurídico Steve Banks.

O presidente da Câmara nomeou cinco vice-presidentes, incluindo Leila Bozorg, que terá a tutela da Habitação e Planeamento, e que supervisionará dois grupos de trabalho criados na quinta-feira.

Um irá avaliar as propriedades públicas e identificar as que têm condições para a construção de habitação social, enquanto o outro pretende simplificar a burocracia para agilizar os projetos de construção de habitação.

Mas a primeira ordem assinada por Mamdani foi a revogação das ordens emitidas pelo antecessor, o democrata moderado Eric Adams, a partir de 26 de setembro de 2024, data em que Adams foi acusado de corrupção. O caso foi arquivado após intervenção do Presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump.

Segundo um comunicado, Mamdani prometeu repor algumas medidas desse período que considere relevantes para a sua agenda. De acordo com o jornal The New York Times, uma das medidas em causa é sobre o apoio que o antecessor tinha promovido a Israel, com a proibição das agências municipais de boicotar ou desinvestir em Israel. Outra das medidas adotava uma definição ampla de antissemitismo que equipara algumas formas de crítica a Israel, como a oposição ao carácter etnicamente judeu do país, ao antissemitismo.

O novo autarca de Nova Iorque, proclamou na quinta-feira uma “nova era” para a capital financeira do país, durante o discurso de tomada de posse perante milhares de pessoas, no qual se comprometeu a governar para todos.

Mamdani pediu coragem para cumprir as promessas de combater o elevado custo de vida e tornar a cidade acessível.

O responsável comprometeu-se com uma “agenda de segurança, acessibilidade e abundância” e sugeriu que iria reforçar a função pública, criticando as administrações anteriores por “recorrerem ao setor privado enquanto aceitavam a mediocridade daqueles que serviam o público”.

O novo presidente da câmara assinalou ainda uma “reforma do sistema de impostos sobre a propriedade com falhas” e um “departamento de segurança comunitária que abordará a crise de saúde mental e permitirá que a polícia se concentre no seu trabalho”.