O início de ano do Chelsea foi absolutamente caótico. No culminar de um caldeirão de emoções que já vinha a cozinhar-se nas últimas semanas de 2025, Enzo Maresca deixou o comando técnico dos blues no primeiro dia de 2026 e atirou o clube para uma segunda metade de temporada absolutamente imprevisível. E a verdade é que os motivos nem sequer tiveram o relvado como pano de fundo.

De acordo com o que a imprensa inglesa tem revelado, Enzo Maresca chegou a um ponto de “colapso irremediável” da relação que mantinha com a direção liderada pelo norte-americano Todd Boehly. Durante todo o mês de dezembro, surgiram notícias de que o treinador italiano tinha utilizado um eventual interesse da Juventus e do Manchester City para tentar obter um novo e melhorado contrato, algo que foi rejeitado pelos seus representantes, para além de que também foi sugerido que Reece James e Cole Palmer tinham jogado lesionados e contra as recomendações da equipa técnica.

Para piorar tudo, também de acordo com as revelações dos últimos dias, Enzo Maresca terá deixado de admitir alegadas ingerências da direção tanto na escolha dos onzes iniciais como também das próprias substituições durante os jogos, algo que considerava inaceitável e que ficou bem claro a meio de dezembro, depois da vitória contra o Everton. “Desde que cheguei ao clube, as últimas 48 horas foram as piores 48 horas por que passei, porque várias pessoas não nos apoiaram. Foram as piores 48 horas desde que cheguei ao clube, porque as pessoas não me apoiaram nem à equipa”, atirou, na altura, o treinador, que terá dispensado os 16 milhões de euros de indemnização a que tinha direito.

Ora, já sem Enzo Maresca, vindo de três jornadas sem ganhar e no primeiro jogo do ano, o Chelsea visitava o Manchester City este domingo e comandado pelo interino Calum McFarlane, até aqui à frente dos Sub-19 do clube. De forma natural, Pep Guardiola foi questionado sobre a saída do italiano que foi seu adjunto nos citizens e deixou-lhe rasgados elogios, garantindo que os blues perderam “um treinador extraordinário e uma pessoa excecional”.

No Etihad, Guardiola tinha Rayan Cherki e Phil Foden no apoio a Haaland, com Matheus Nunes, Rúben Dias e Bernardo a serem todos titulares e Rodri a ser titular pela primeira vez em meses. Já Calum McFarlane, a aquecer um lugar que à partida será de Liam Rosenior, inglês que orienta ainda o Estrasburgo, apostava em Pedro Neto, Cole Palmer e Estêvão nas costas de João Pedro, a referência ofensiva.

Numa primeira parte de sentido praticamente único, o Manchester City teve sempre mais bola e jogou no meio-campo contrário durante longos períodos de tempo, com o Chelsea a apostar na organização defensiva para depois explorar eventuais transições rápidas. Os citizens aceleraram a partir da meia-hora e começaram a criar várias situações de perigo, com Filip Jörgensen a defender um remate desviado de Haaland (38′) e o avançado norueguês a acertar no poste logo a seguir (39′), e Reijnders acabou por abrir o marcador já perto do intervalo com um pontapé cruzado na área (42′).

Calum McFarlane mexeu logo no início da segunda parte e trocou Estêvão por Andrey Santos, com o Chelsea a dar a ideia de que pretendia correr atrás do resultado logo nos instantes iniciais. Pedro Neto falhou o empate ao rematar por cima depois de um grande trabalho de Enzo Fernández na área (49′) e Pep Guardiola foi forçado a fazer a primeira substituição nesta fase devido a lesão de Gvardiol, lançando Khusanov.

O jogo tinha mudado, os blues estavam claramente a atravessar o melhor período na partida e Calum McFarlane procurou explorar isso mesmo com as entradas de Liam Delap e Jorrel Hato, com Guardiola a responder às maiores dificuldades da equipa a partir do banco com Jérémy Doku e depois Nathan Aké, que rendeu um aparentemente lesionado Rúben Dias. Delap ficou muito perto de empatar com um remate já na área que Donnarumma defendeu (72′) e o empate apareceu mesmo já nos descontos, com Enzo a encostar junto ao poste (90+4′). 

Manchester City e Chelsea empataram no Etihad no primeiro jogo dos blues sem Enzo Maresca e os citizens somaram o segundo jogo sem ganhar depois do empate contra o Sunderland, ficando agora a seis pontos da liderança do Arsenal e igualados pelo Aston Villa na segunda posição. Já os londrinos somaram a quarta jornada sem vitórias e estão no quinto lugar da Premier League com os mesmos pontos que o Manchester United de Ruben Amorim e a três do Liverpool.