Numa arruada pelas ruas muito desertas de Sines, André Ventura deixou um aviso sobre o fato que vestirá se chegar ao Palácio de Belém: “Quem quiser um Presidente não interventivo, não vote em mim. E, atenção, eu quero voto, mas se quiser um Presidente para ser um corta-fitas, não vote em mim, porque não é o que eu vou ser.”
“Eu vou ser um Presidente interventivo, vou ser um Presidente que quer conduzir o país, dar indicações ao país de como ele deve ser conduzido, e abanar o sistema político, não é intrometer no trabalho do Governo, mas é dizer ao Governo para onde tem que ir muitas vezes”, assegurou o candidato a Belém apoiado pelo Chega.
Questionado sobre as palavras de João Cotrim Figueiredo — que considera que “espírito reformista” de Sá Carneiro e a “coragem” de Passos estão “hoje na sua candidatura” —, André Ventura desvalorizou os números do adversário apoiado pela Iniciativa Liberal: “Se o espírito de Sá Carneiro estivesse com 10% ou 12% nas sondagens era uma coisa muito má em Portugal.”
André Ventura fugiu de variadíssimas formas para não responder se se considera o herdeiro de Passos Coelho, mas respondeu à candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, que o tinha sugerido, dizendo que “antes ser o herdeiro do Passos Coelho do que de António Costa, como Catarina Martins é”.
Ainda que Passos Coelho não tenha tomado posição nestas eleições presidenciais, Ventura considera que o ex-primeiro-ministro só escolheria entre si e Marques Mendes. Contudo, garantiu que não fica “dececionado” e virou o jogo a seu favor: “Estou à frente das sondagens. Ficaria dececionado se não tivesse o apoio dos portugueses.” Seja como for, até porque está a falar do homem que tantas vezes elogia politicamente, Ventura assume que ficaria “honrado” de ter Passos ao seu lado.
DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR
Ventura: “Não há de certeza o bebé do ano do litoral alentejano”
Depois de se cruzar, nas ruas de Sines, com um senhor que vai ser avô e se queixou que a filha terá de ir ter o bebé a Lisboa, André Ventura aproveitou o embalo para falar da Saúde no litoral alentejano. “Temos visto o bebé do ano do Algarve, o bebé do ano de Lisboa, o bebé do ano do Porto, não há de certeza o bebé do ano do litoral alentejano porque não há maternidade, porque há anos que isso não avança”, criticou André Ventura, recordando que desafiou os adversários para um debate sobre saúde.
Para o candidato a Belém, a devolução de Marcelo dos diplomas da Saúde novamente ao Parlamento são a prova da “importância” do Presidente nesta área. Assim, acredita que o chefe de Estado pode, por exemplo, “garantir que os partidos tenham um plano de saúde que responda ao encerramento de serviços no interior do país e na zona mais afastada de Lisboa e do Porto”.
E aproveitou para enviar mais uma farpa ao Presidente da República, dizendo que foi um “analista dos diplomas” e mas “nunca teve a iniciativa de dizer que na saúde deve-se procurar estes passos”.
“Não podemos continuar a ter encerramentos de maternidade ou haver espaços onde durante quilómetros e quilómetros não há uma única maternidade”, apontou, frisando que é preciso para a Saúde o que está a ser feito na área da Defesa: “Precisamos de ter essa capacidade de investimento para a saúde, não para desbaratar dinheiro estupidamente.” No mesmo sentido, reiterou que, neste contexto, e quando “passou um ano e nada está a funcionar”, o país não pode “continuar a dar cobertura a uma Ministra da Saúde assim”.