Com mais uma sondagem a colocar Catarina Martins longe da segunda volta, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda teve, mais uma vez, de resistir aos apelos ao voto útil. “António José Seguro voltou ontem a dizer que se orgulha de ter apoiado o corte aos subsídios de férias e de Natal. Agora pede o voto para quê? Para no dia a seguir poder voltar a orgulhar-se de apoiar ou de viabilizar cortes contra a Constituição?”

A resposta enérgica na Feira de Torres Novas era uma reação às declarações do candidato apoiado pelo PS, que, após liderar pela primeira vez uma sondagem, disse esta segunda-feira que apoiar as candidaturas de esquerda sem hipóteses de passar à segunda volta “acaba por ser meio voto”. A bloquista revisitou novamente o passado para lançar dúvidas sobre a capacidade de Seguro se impor como Presidente face a um Governo de direita.

“Quem é que dá garantias de proteger os salários? É quem esteve ao lado dos cortes do subsídio de férias e de Natal mesmo contra a Constituição? Ou quem usou todos os poderes que tinha e foi ao TC para repor os subsídios? As eleições presidenciais são sobre isso”, argumentou Catarina Martins, que lembrou que nessa altura “juntou forças com socialistas para ir ao Tribunal Constitucional”, na procura de reverter medidas tomadas pelo Governo de Passos Coelho, durante o período da troika.

Também desvalorizou os estudos de opinião que a colocam a disputar o sexto lugar da corrida presidencial com António Filipe e Jorge Pinto, projetando-se, na maioria dos casos, que tenha menos de 4% dos votos. “As sondagens não são a primeira volta de eleições nenhumas. Ainda ninguém tem um único voto. A primeira volta é sobre convicção, sobre o país que temos, sobre o país em que acreditamos”.

Visando um dos seus adversários mais diretos, também respondeu às acusações de “falta de ambição” que Jorge Pinto endereçou aos líderes políticos da geringonça, no dossiê da regionalização. A imobilidade dessa reforma prevista na Constituição atribui-a ao atual Presidente. “A regionalização sem revisão constitucional exige um referendo. O Parlamento não pode nem podia ter feito a regionalização, podia ter feito um referendo. Marcelo Rebelo de Sousa disse logo de início que essas condições não existiriam.”

Por fim, voltou a servir-se da memória de algumas das principais medidas dos Governos minoritários de António Costa para lembrar o seu impacto enquanto líder do BE na governação. “Temos de agir com o que há e acho que se fez muito e bem, quando foi possível. Para repor salários, pensões, para dar manuais escolares gratuitos. Acho que é bom não nos esquecermos o que foi esse período. Sei as dificuldades de negociar com o Partido Socialista”, atirou.