O presidente da Câmara Municipal da Guarda convidou e Jorge Pinto aceitou. O candidato a Belém apoiado pelo Livre rumou à cidade mais alta do país para discutir a desertificação do interior e a necessidade de criar medidas de fixação da população. E aproveitou ainda para apontar o dedo aos partidos de esquerda, que enquanto estiveram no poder com maioria parlamentar, nada fizeram para avançar com o referendo da regionalização.
Depois de terminar o encontro com o autarca independente da Guarda (que lançou o mesmo convite a todos os candidatos a Belém), Jorge Pinto defendeu que Portugal deve ser um país “coeso, plural e diverso, onde as oportunidades são distribuídas de forma justa”. Para tal é necessário dar um passo em frente rumo à regionalização. “Luís Montenegro foi muito transparente quando disse que não quer avançar com esse processo”, disse com tranquilidade, mas não ficou por aqui.
Jorge Pinto, que quer conquistar votos à esquerda — e que considera uma derrota ficar atrás de António Filipe e Catarina Martins — apontou o dedo ao PS, PCP e Bloco de Esquerda “No passado recente, com a gerigonça, os partidos que a constituíram eram, na teoria, favoráveis à regionalização. Tinham a maioria parlamentar para avançar com o processo de referendo, e isso não aconteceu. Porquê?”
O candidato culpa os dirigentes políticos (da direita à esquerda) pelas disparidades que se fazem sentir no país, que parece andar “a duas velocidades”. E isto deve-se a “falta de vontade e ambição política”, principalmente no que toca à realização do referendo da regionalização, defende.
O candidato a Belém propôs no passado domingo a criação de uma Assembleia Cidadã e esta segunda-feira aproveitou ainda para explicar a ideia. Quer juntar 100 pessoas, que serão ouvidas e passarão a estar diretamente envolvidas no processo de regionalização. Além disso, pretende criar “um rendimento básico de coesão territorial”, de forma a que haja uma “discriminação positiva” no país e a população queira fixar-se no interior. “Caso contrário deixamos de ter um país, temos apenas um território sem pessoas.”
Crítica direta a Mendes e de raspão a Marcelo
Face às críticas que entretanto vários candidatos à Presidência fizeram a Luís Marques Mendes por Luís Montenegro ter estado a seu lado no comício do passado domingo (que marcou o início da campanha eleitoral), Jorge Pinto aproveitou para carregar contra o adversário: “Marques Mendes não será um bom Presidente da República porque é o que está mais próximo do senhor primeiro-ministro e do Governo.”
Durante o dia, não foi só Luís Marques Mendes quem foi atacado por Jorge Pinto. O mesmo aconteceu ao atual Presidente da República, a quem o candidato deixou uma nota. Enquanto visitava a Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio da Urgiceira (a ATMU), no distrito de Viseu, o responsável por esta organização acusava o Governo e o atual Presidente da República de não se preocuparem com a população, que continua a ser prejudicada pela exposição ao urânio, potenciando o desenvolvimento de cancro.
“O Estado abandonou-nos, não quis saber. E o Presidente da República, [dá] tantos beijos e dos mineiros nunca quis saber”, lamentou António Minhoto. O ex-mineiro garantiu que ainda há casas por descontaminar na zona, mesmo que em 2008 tendo recebido, por parte do Estado, garantias de que todas as habitações seriam limpas. Passado 18 anos o processo ainda não foi concluído.
Questionado se considera incompreensível o silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa relativamente a esta situação e à necessidade de aumentar os apoios a pessoas afetadas pelo urânio na região, Jorge Pinto disse que “um Presidente da República deve estar presente e junto das pessoas, ouvindo-as sem ter câmaras de televisão por perto”.
E, dando um recado direto ao atual chefe de Estado, acrescentou: “Um Presidente da República tem muito tempo na agenda para estas visitas e tem de arranjar tempo para ouvir estas reivindicações. Por um motivo simples: são justas. E já foram, até, ouvidas na Assembleia da República. Carecem apenas de aplicação.”