André Ventura tem Sá Carneiro como referência, cita Sá Carneiro desde sempre, inúmeras vezes e em variadíssimas ocasiões, e agora que o fundador do PSD é disputado por todos nestas presidenciais, o candidato a Belém recusa estar a apropriar-se do histórico social-democrata, mas rejeita que seja um “exclusivo” do PSD.

Questionado sobre o artigo de opinião de Cavaco Silva, publicado no Observador, o candidato a Belém apoiado pelo Chega argumenta que o antigo Presidente da República está “errado, porque Sá Carneiro não é exclusivo do PSD, não é património de ninguém, é de todos nós, como outras grandes figuras da história de Portugal”.

Aliás, Ventura está mesmo convencido de que se Sá Carneiro estivesse vivo “sentir-se-ia muito mais próximo do Chega, dos valores do Chega, da forma de fazer política do Chega, do que do próprio PSD”. “Não quero apropriar-me de uma figura. Acho é que não há o direito do outro lado de dizer ‘o André Ventura não pode falar de Sá Carneiro porque era do PSD’. Era do PSD em 74, em 75, em 76, em 77, em 78 e em 79. Não sabemos se em 2026 seria do PSD, provavelmente, até seria do Chega”, resume, crente de que o fundador do PSD ficaria “envergonhado dos homens que têm à frente do PSD”.

“Em 2026, Sá Carneiro provavelmente seria do Chega”

Ouça aqui as declarações de André Ventura em resposta a Cavaco Silva

Ventura considera-se o “menos prejudicado pelo voto útil”

Antes de uma arruada no Pinhal Novo, em Palmela, a única ação de camapnha do dia devido ao debate a 11 na televisão, Ventura reagiu à tracking poll da Pitagórica para a CNN, TVI, JN e TSF, conhecida esta segunda-feira, que o coloca em terceiro lugar, atrás de António José Seguro e Henrique Gouveia e Melo — à frente de Cotrim Figueiredo, muito próximo, e de Marques Mendes, a cair.

Além de notar que a Pitagórica “é a única empresa” de sondagens [entre as últimas pesquisas conhecidas] que não o dá “em primeiro lugar”, desvalorizou essa questão e realçou: “Fica claro que há três candidaturas que estão na luta, talvez quatro, para que se passe a uma segunda volta” — fazendo questão de não excluir Cotrim.

Seja com que número for, Ventura admitiu que a passagem à segunda volta pode decidir-se “por décimas”, vincando que “mesmo quem está à frente deve ter a humildade de continuar a trabalhar para conquistar as pessoas”.

Ainda relativamente às técnicas usadas pelos adversários para agregarem votos, acredita que “será o menos prejudicado pelo voto útil” e referiu que, em estudos internos, o candidato apoiado pelo Chega tem uma “fidelização de votos na casa dos 86 e 87%”.

O presidente do partido, confrontado com os números de João Cotrim Figueiredo nos jovens (um eleitorado que tem estado com o Chega nos últimos anos), desvalorizou, crente de que essa faixa etária está com a sua candidatura. E na hora de estabelecer a maior preocupação, entre o ex-presidente da IL e Marques Mendes, Ventura desviou e não quis fazê-lo.

Ainda assim, assumiu como “evidência que a amplitude de candidatos que podem ir à segunda volta alargou-se um pouco”, mas sugeriu de imediato que, “ao contrário do que acontece com o Chega”, os resultados dos liberais são empolados:

“Lembro-me nas legislativas de estarem em entrevistas e dizerem que o PSD e os liberais podiam ter maioria os dois. Eu disse ‘não brinquem connosco e não brinquem com as pessoas’. Todos sabem que isso é mentira, que isso não vai acontecer. Quem faz as sondagens também sabe, francamente, o que é que está a acontecer e como é que está a acontecer, porque nós também temos sondagens e também temos números”, referiu o candidato apoiado pelo Chega.

“Mendes não é sequer o candidato do PSD, é o candidato do Montenegrismo”

André Ventura, questionado sobre as palavras de Luís Marques Mendes relativamente ao Orçamento do Estado, afirmou tratar-se do “típico exemplo de quando um candidato começa a perder o controlo das coisas, começa a disparatar e dizer coisas sem sentido”.

O líder do Chega queixou-se que o acusam de falar apenas de legislativas e que agora o tema virou para o Orçamento do Estado e atirou Marques Mendes: “Mal começa a descer nas sondagens traz o Parlamento e o Orçamento para a campanha”.

E mesmo realçando que não iria desvalorizar nenhum adversário, Ventura caiu na tentação de dizer que não encontra ninguém na rua que diga que vá votar Marques Mendes: “Encontro pessoas que dizem que votam no Seguro, no Gouveia e Melo, no Cotrim Figueiredo, na Catarina Martins também, agora não vejo ninguém que vá votar no Marques Mendes.”

E prosseguiu: “Acho que o desespero é tal que agora quer trazer outro tema, para tentar com isto entalar-me a mim, sendo o líder do partido.” Acusou ainda o adversário apoiado pela AD de querer “atirar fumaça” para não se discutirem as presidenciais por estar a cair nas sondagens.

Ventura reiterou ainda a ideia de que “Marques Mendes é uma marioneta de Luís Montenegro” — como tinha feito quando o presidente do PSD e primeiro-ministro entrou bem cedo na campanha. “Luís Marques Mendes não é sequer o candidato do PSD, é o candidato do Montenegrismo”, apontou, para logo questionar: “Como é que o candidato do PSD, que teve tantos anos num canal de televisão a fazer comentário e é uma pessoa conhecida, não reúne apoios sequer de metade dos dirigentes do PSD?”

Depois de Marques Mendes ter assegurado que será um Presidente interventivo, caso chegue a Belém, Ventura, que tem usado a expressão, voltou a atacar o social-democrata: “Marques Mendes será interventivo em quê? Só se for levar o café e o chá ao Luís Montenegro, mais nada.” E conclui: “Vou dizer uma coisa ao Luís Marques Mendes: tem que crescer muito politicamente para me entalar.”

Depois das críticas, num estabelecimento no Pinhal Novo, em Palmela, André Ventura bebeu café, deu conta de que a campanha está a ser “descafeinada” e, depois de muita insistência, lá assumiu que, a seu ver, Luís Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo precisam de mais café para agitar. “Se Marques Mendes bebe quatro cafés e fica assim… Marques Mendes e Gouveia e Melo precisam de beber mais uns cafés para ganhar mais alguma força. Se não vamos ter uma segunda com um a speedar e outro…”

André Ventura admitiu também que, independentemente de estar “em primeiro” na primeira volta, ficará numa “situação desfavorável” na segunda volta — algo que já tinha assumido ao dizer que nessa fase serão todos contra si.

“Não quero dourar a pílula, as coisas são o que são, porém, uma segunda volta é completamente diferente de uma primeira, nas suas dinâmicas, na sua estrutura, na sua organização. Depois do dia 18 vamos ter outra luta de três semanas, em que vamos só dois candidatos dizer ao país o que é que querem, e isso significa que podemos e devemos lutar, aí, pela inversão dessa tendência. Portanto, claramente há uma tendência para vencermos a primeira volta e para podermos não vencer a segunda volta”, concluiu o líder do Chega.