Em plena arruada em Sobral de Monte Agraço, André Ventura entrou na mercearia Pomar da Vila para comprar e distribuir bananas. Não quis deixar a casca no chão para um dos adversários tropeçar, mas aceita a vitamina da fruta para “levar isto até ao fim com muita força”. Mais a sério, antes de andar pelas ruas da vila, o candidato apoiado pelo Chega considerou que Marques Mendes e Cotrim Figueiredo são “exatamente iguais”.
André Ventura, que chegou ao primeiro lugar na tracking poll da Pitagórica, foi questionado sobre um dos mais recentes alerta de Cotrim Figueiredo — que disse que “quem vota em Ventura está na prática a garantir a eleição de Seguro” — e deixou um aviso: “Votar no João Cotrim de Figueiredo ou no Marques Mendes é a mesma coisa.”
Recusando-se a embarcar no “taticismo político que foi feito há 40 e há 50 anos” e acusando Cotrim de ser “o típico político que nós não precisamos da nossa praça”, Ventura referiu que Ventura tem “votado tudo igual ao que o PSD faz na União Europeia”, frisando que quer “mais imigração” e “tem valorizado todos os pacotes para a imigração que têm sido discutidos em Bruxelas”.
Concluiu, portanto, que Marques Mendes e Cotrim Figueiredo são “exatamente iguais” porque “não querem mais segurança, não querem mais luta contra a corrupção, não querem menos imigração, não querem controlar subsídios”.
“Uma coisa é se isto for um desfile de misses, de quem é que pode ser a miss mais bonita na segunda volta. Eu não vejo a política assim, vejo a política como uma luta de causas”, afirmou, dizendo que “está à frente”, mas que “respeita” os adversários: “Discordo deles não é como pessoas, é nas causas e nos valores.”
“As pessoas querem dar um abanão no sistema em Portugal. E sabem que se votarem no João Cotrim Figueiredo nem chega a ser um toque na mesa”, disse, exemplificando que o seu murro será muito mais agressivo. Confrontado com o facto de o candidato apoiado pela IL estar à frente, nas sondagens, no eleitorado jovem, Ventura recusou: “Ninguém está à minha frente nos jovens.”
De volta à mercearia, Ventura vai escolhendo o cacho de bananas e dizendo que procura o “melhor para o sistema cair”, que coloca a casca de banana ao sistema com que quer acabar e que a “vitamina” é para si para “levar isto até ao fim com muita força”. Pelo meio, distribui fruta: “Umas serão para os amigos, outras para os adversários. Aquelas que são para pôr no chão serão para os adversários do sistema e as que eu comer são para dar vitamina.”
Na mesma rua houve ainda tempo para a ginja. Ao saber que Gouveia e Melo não bebe álcool, diz não ser “tão puro”, mas segue caminho: agarra na garrafa e distribui por quem ali está. Brindam à vitória e, caso chegue mesmo a Belém, não recusa repetir a tradição de Natal de Marcelo Rebelo de Sousa, ao beber ginja no Barreiro, prometendo que quer estar em mais sítios do país e não sempre no mesmo.