A segunda semana de campanha de Jorge Pinto parece ter começado com energia extra. O candidato que não gosta de tecer críticas aos oponentes, começou por apontar o dedo à direita logo pela manhã e terminou com um ataque direto a António José Seguro. Pela primeira vez, Jorge Pinto criticou o candidato apoiado pelo PS (e por quem, há poucas semanas, estava disposto a desistir mediante a celebração de um pacto entre a esquerda). Também se estreou nos ataques a Gouveia e Melo.

“António José Seguro faz lembrar aquele professor que, vendo um bully e um agressor na escola, vai lá e diz: ‘Façam as pazes’. E a seguir vira costas e espera que a situação se resolva”, começou por dizer Jorge Pinto no comício deste domingo, em Coimbra. O candidato referia-se à revisão Constitucional feita de forma radical pela direita e extrema-direita — tema que o preocupa e que faz questão de mencionar em várias ações de campanha. “É preciso um Presidente da República firme, que diga que a situação não pode continuar.”

As críticas a Seguro surgiram cinco dias depois do debate entre todos os candidatos na televisão, momento em que Jorge Pinto assumiu que não seria um impedimento à vitória de Seguro, caso a esquerda se unisse num pacto. E apenas um dia depois de o co-porta-voz do Livre, Rui Tavares, lançar um desafio ao candidato apoiado pelo PS. Falando num comício em Almada o também deputado do Livre confrontou o socialista: “Diz-nos o que é que fazes se quiserem mudar a Constituição. Diz-nos como lutas e como a fazes cumprir.” Até ao momento, Seguro não reagiu à provocação.

Rui Tavares reaparece para confrontar Seguro

E se Jorge Pinto se estreou nas críticas a Seguro, também o fez nos ataques a Henrique Gouveia e Melo, candidato com quem se cruzou este domingo de manhã, em Aveiro, e com quem trocou algumas palavras. “Quanto a Gouveia e Melo, continuamos sem saber de que lado está. Um dia almoça com uns, outro dia com outros. Ser de esquerda não é pecado e de direita também não”, troçou. A afirmação levou a risos e aplausos por parte da plateia que escutava Jorge Pinto no Teatro da Cerca de São Bernardo. E, acusando o almirante de falta de honestidade, pediu: “Sejamos francos com os portugueses, digamos ao que vimos.”

Uma vez que o comício que encerrou este 8.º dia de campanha teve lugar em Coimbra, Jorge Pinto aproveitou para atacar André Ventura, após ter sido notícia que “uma vereadora do Chega se desfiliou” do partido por divergências internas. “Como é que o senhor, que não consegue pôr ordem na sua casa, consegue meter ordem no país? Devia era ter vergonha e pedir desculpa ao país.”

“A única coisa que motiva os candidatos à direita é saber onde está Passos Coelho”

Neste discurso de cerca de 30 minutos, apenas Catarina Martins e António Filipe não foram visados pelo candidato apoiado pelo Livre. Quanto a Luís Marques Mendes e João Cotrim Figueiredo, o ataque foi de manhã. Jorge Pinto começou por gracejar com as “juras de amor” do liberal, que escreveu a Luís Montenegro prometendo uma aliança com o governo caso fossem tomadas medidas na área da Saúde, Economia e Segurança Social. E depois, fazendo mira a ambos, acusou-os de estarem mais focados a “tentar encontrar Passos Coelho e a ver se faz um favorzinho para parecer a seu lado na campanha” do que a ouvir os portugueses.

“Estou quase preocupado com Pedro Passos Coelho, porque parece que os candidatos à direita andam todos à sua procura. Não sei se alguém sabe onde é que ele está, se já o encontraram. Parece que a única coisa que motiva os candidatos à direita é saber onde é que está Pedro Passos Coelho e ao lado de quem é que estará”, disse.

Isabel Mendes Lopes, que esteve presente no comício deste domingo, aproveitou a deixa para vincar ainda mais estas críticas a estes dois candidatos de direita. “Marcelo Rebelo de Sousa dizia que este ano seria um ano singular e é verdade. Em parte porque começa com uma eleição para Belém para a qual muitos nem querem mesmo ser Presidente”, disse. “Temos um candidato que promete que nos próximos dois anos não se candidatará à liderança da Iniciativa Liberal. E outros que, na verdade, queriam que o candidato fosse Passos Coelho.”