A influenciadora digital italiana Chiarra Ferragni deverá conhecer esta quarta-feira o veredicto do julgamento de que foi alvo nos últimos meses devido ao polémico caso de fraude relacionado com a venda de bolos de Natal — um escândalo que abriu as portas não só à queda da reputação de Ferragni, mas também ao colapso do seu casamento com Federico Lucia (ambos eram, nas palavras do Politico, “o casal mais politicamente influente do Instagram em Itália”) e a um intenso debate público envolvendo as principais figuras políticas italianas.
Chiarra Ferragni e Federico Lucia conheceram-se em 2016, quando ambos já eram figuras influentes em Itália — ela no mundo da moda, ele um rapper com uma forte intervenção política de esquerda. Depois do casamento, em 2018, os dois construíram um autêntico império nas redes sociais, partilhando ao detalhe a sua vida doméstica e tornando-se porta-vozes de causas progressistas, incluindo dando o seu apoio a legislação contra a discriminação de género, defendendo os direitos LGBT e angariando fundos para causas solidárias.
O casal viu-se, contudo, mergulhado em escândalo no final de 2023, com o lançamento de uma iniciativa solidária: a venda de um pandoro, um bolo típico de Natal italiano, cujos lucros reverteriam a favor de um hospital pediátrico em Turim, com o objetivo de financiar a investigação oncológica. O caso, porém, tinha contornos diferentes: o casal, que ganhou mais de um milhão de euros com a campanha, tinha apenas dado um contributo fixo de 50 mil euros ao hospital. Na sequência da polémica, Ferragni comprometeu-se a doar um milhão de euros ao hospital — mas não se livrou de ser, em 2025, acusada pelo Ministério Público de fraude agravada, ao abrigo das leis de defesa do consumidor, por gerar falsas expectativas entre os consumidores.
A polémica com um bolo de Natal que agita o império de Chiara Ferragni
Já no meio da polémica, Chiarra Ferragni e Federico Lucia viriam a divorciar-se — numa separação pública que também marcou o afastamento do rapper das ideias que anteriormente defendia. Atualmente, o artista, conhecido como Fedez, é o apresentador de um podcast onde entrevista regularmente figuras ligadas à direita radical italiana e tem sido fortemente elogioso de Matteo Salvini, o vice-primeiro-ministro italiano e líder do partido Liga Norte, de extrema-direita. Já Ferragni tem sido duramente criticada pela primeira-ministra, Giorgia Meloni — que, em 2024, propôs um diploma legislativo destinado a punir explicitamente fraudes cometidas por influenciadores digitais, um projeto que rapidamente ganhou o nome “lei Ferragni”.
No tribunal de Milão, onde o julgamento começou no final de novembro, Chiara Ferragni tem procurado defender-se com a ideia de que fez tudo “de boa fé”. O Ministério Público, por seu turno, pediu uma pena de 20 meses de prisão.