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O número de mortos nos protestos contra o regime do Irão subiu para pelo menos 2.571, avançou uma organização não governamental (ONG) criada por exilados iranianos.
De acordo com a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos, 2.403 dos mortos eram manifestantes e 147 estavam ligados ao Governo.
O grupo afirmou na terça-feira que 12 crianças foram mortas, juntamente com nove civis que não participavam nos protestos. O número de detidos também aumentou para mais de 18.100.
O anterior balanço divulgado pela HDRANA apontava para pelo menos 2.003 vítimas mortais desde o início dos protestos, em 28 de dezembro.
O número divulgado pela ONG supera em muito o número de mortos de qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no Irão em décadas e faz lembrar o caos que envolveu a Revolução Islâmica de 1979 no país.
Skylar Thompson, da HDRANA, disse à agência de notícias Associated Press que este balanço é chocante, sobretudo porque atingiu em apenas duas semanas quatro vezes o número de vítimas dos protestos após a morte de Mahsa Amini em 2022, quando estava sob custódia da “polícia da moralidade”.
“Estamos horrorizados, mas ainda achamos que o número é conservador”, declarou.
A televisão estatal iraniana reconheceu na terça-feira pela primeira vez um elevado número de mortes, afirmando que foram registados “muitos mártires”.
Um apresentador leu uma declaração que dizia que “grupos armados e terroristas” levaram o país “a entregar muitos mártires a Deus“, embora sem detalhar qualquer número.
Os meios de comunicação social estatais noticiaram que pelo menos 121 membros das forças militares, policiais, de segurança e judiciais da República Islâmica morreram durante os protestos, segundo outra ONG, a Human Rights Iran (HRINGO).
Com a internet em baixo no Irão, avaliar o impacto das manifestações a partir do estrangeiro tornou-se mais difícil, apesar dos iranianos terem na terça-feira conseguido voltar a fazer chamadas internacionais.
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A HRINGO admitiu que o número real de vítimas causadas pela repressão dos protestos pode atingir 12 mil.
O Irão está a ser agitado por uma vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos e da ONU devido ao programa nuclear de Teerão.
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As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à morte de manifestantes detidos.