João Cotrim Figueiredo soube esta manhã no fim da ação de campanha em Gondomar que a antiga assessora da Iniciativa Liberal tinha enviado um comunicado à Agência Lusa a confirmar que reportou o caso na Iniciativa Liberal há dois anos. Imediatamente antes de falar aos jornalistas, o seu assessor transmitiu-lhe a indicação, falaram por breves instantes e o candidato colocou-se à frente dos jornalistas, para negar que tivesse sabido da alegação há dois anos: “Continuo a negar, não tive qualquer conhecimento da matéria e, em relação ao caso, devo dizer que a queixa-crime está pronta à hora do almoço e será entregue ainda hoje”.
A seguir, referiu pela primeira vez o apelido da antiga assessora da IL que publicou a story no Instagram para “Amigos Chegados”, um circuito mais fechado daquela rede social: “Como diz a própria nota emitida pela senhora Bichão, será apurada em tribunal a veracidade dos factos”. Por decisão editorial, o Observador só escreveu o nome de Inês Bichão depois de a própria ter emitido um comunicado.
Abordou também o facto de a antiga assessora dizer no comunicado que a sua story foi divulgada sem o seu consentimento. “O facto de ter sido difundido com ou sem consentimento a mim diz-me pouco. O dano está causado e, portanto, a responsabilidade tem que ser apurada.” Questionado sobre se a antiga assessora alguma vez lhe tinha transmitido desconforto na sequência de alguma interação, respondeu: “Não. E volto a dizer: todos os factos serão apurados em tribunal.”
▲ O momento em que Cotrim é informado do comunicado da sua antiga assessora
IGOR MARTINS/OBSERVADOR
Líder da IL mantém-se no comício: “Conheço bem a Mariana Leitão. É uma pessoa íntegra”
A Iniciativa Liberal tinha recusado clarificar ontem se tinha havido alguma denúncia interna de assédio. Esta quinta-feira, após a divulgação do comunicado da ex-assessora a referir o reporte interno há dois anos, o partido voltou a negar: “É completamente falso que tenha havido qualquer queixa interna ou reporte, formal ou informal, sobre o candidato Presidencial João Cotrim Figueiredo. A Iniciativa Liberal rejeita visceralmente uma campanha suja que lança acusações muito graves sem qualquer evidência ou prova.”
Cotrim Figueiredo não foi crítico de Mariana Leitão, atual líder do partidio e que era na altura chefe de gabinete do grupo parlamentar, e adiantou esta hipótese para o facto de não ter sido informado: “Eu só posso interpretar que não era visado, senão ter-me-iam dito. Conheço bem a Mariana Leitão, é uma pessoa íntegra”. Disse ainda que se mantém a presença da líder da IL no seu comício desta noite.
Após uma insistência sobre esta tema de ninguém na IL lhe ter dito, mostrou alguma impaciência: “Eu não sei o que é que vocês estão a falar, francamente. Podemos mudar de assunto? Sobre esse tema, tudo será apurado em tribunal. A queixa crime entra hoje e quero concentrar-me na campanha, que é muito mais importante para mim”, reiterou.
Considerou que esta alegação tem impacto nestas eleições: “Desvia-me da minha campanha, que é provavelmente o propósito de quem pôs isto a circular. Tenho por obrigação não só defender a minha reputação, mas também tenho a obrigação de defender a minha campanha, porque há muita gente que depende daquilo que eu estou a tentar fazer.”
“Não posso estar com a minha campanha completamente sequestrada por este tema”, reforçou. “Lamento, não me podem obrigar a falar deste tema durante os próximos dois dias, quando são os últimos dois dias de campanha”. “Penso que isto [a eleição presidencial] é capaz de ser um bocadinho mais importante para os milhões de portugueses que nos estão a ouvir, do que o caso concreto que será cabalmente esclarecido em tribunal. Eu não tenho nada a esconder e fá-lo-ei com todo o gosto, mas nesta altura compreenda que eu tenho outras prioridades”, acrescentou ainda.
Cotrim e os jornalistas “instrumentalizados para dinamitar a campanha”
A seguir ainda houve outra resposta sobre as intenções da divulgação desta alegação neste momento. “Foram vocês próprios que me disseram que receberam a informação todos ao mesmo tempo. Verdade ou mentira? Vão desmentir agora em conferência de imprensa? Não receberam a informação todos ao mesmo tempo? Na mesma noite? Isto é por acaso?”, perguntou.
“Eu não estou a dizer que foi a pessoa em si. Alguém fez isto e está a conseguir. Vocês estão a ser completamente instrumentalizados por usar este caso para dinamitar a minha campanha nos últimos dois dias”, acusou. Em resposta a uma pergunta, o candidato liberal disse ainda que não tinha contactado a antiga assessora: “Não. Não faria sentido nenhum”.
E voltou a concentrar-se no timing político e na forma como surgiu a alegação. “Não percebo como é que é possível lançar uma atoarda destas, sem confirmação absolutamente nenhuma, e há quatro dias não se fala de outra coisa. Eu tenho uma campanha eleitoral para fazer, eu tenho um futuro político para assegurar. Podemos estar a fazer uma segunda volta entre dois candidatos que não interessam à maioria das pessoas”.
Cotrim Figueiredo respondeu aos jornalistas depois de uma ação de campanha no Centro de Dia do Soutelo, no concelho de Gondomar, onde voltou a ter várias interações com idosos. “Espero que tenha boa pontuação e passe à segunda volta”, disse-lhe um idoso. O candidato agradeceu: “Isto não está fácil”.