Talvez fosse a pior altura possível para um dérbi em Old Trafford. Pouco mais de uma semana depois do despedimento de Ruben Amorim, após um empate e a eliminação da Taça de Inglaterra sob o comando de Darren Fletcher e na estreia de Michael Carrick, o Manchester United recebia o Manchester City. E a ideia de que tudo podia correr melhor do que o esperado era tão forte como a ideia de que tudo podia correr ainda pior do que o esperado.
Os últimos dias, tal como os últimos meses, foram de ebulição total no universo do Manchester United. Darren Fletcher fez dois jogos e não ganhou nenhum, conseguindo ainda ser eliminado da Taça de Inglaterra e desperdiçar a única competição que os red devils ainda podiam almejar ganhar esta temporada, e Michael Carrick acabou por ser o escolhido para ocupar o lugar de treinador interino até ao final da época.
Um cargo que já tinha ocupado durante três jogos no final de 2021, na altura da saída de Old Gunnar Solskjaer e antes da chegada de Ralf Rangnick, mas que não o salvava das críticas dos que atualmente são os donos de toda a opinion making do Manchester United: os antigos jogadores. No programa “The Overlap”, onde também participam Gary Neville, Ian Wright, Jamie Carragher e Jill Scott, Roy Keane arrasou Michael Carrick ainda antes da estreia e questionou a escolha dos adjuntos, onde se inclui o antigo central Jonny Evans.
“Hás duas semanas, o Jonny Evans estava na praia. O Jonny Evans deixou o Manchester United há cinco ou seis semanas, quando geria os empréstimos, e o Darren Fletcher deu-lhe um emprego. Por muito estranho que pareça, deu-lhe um emprego. Fazem dois jogos, o Fletcher sai e o Carrick dá-lhe um emprego. É ótimo, não é? Todos nós devíamos ir passar uma semana a Barbados. O que é que o Jonny Evans fez para ser treinador da equipa principal do Manchester United?”, questionou o antigo capitão dos red devils.
Ainda assim, este sábado e em Old Trafford, Michael Carrick tinha a sorte de já contar com Bryan Mbeumo e Amad Diallo, dois dos três jogadores que estiveram na CAN, e colocava ambos no onze inicial. Kobbie Mainoo aparecia no meio-campo com Casemiro, Harry Maguire voltava a fazer companhia a Lisandro Martínez e tanto Benjamin Sesko como Matheus Cunha começavam no banco. Do outro lado, o Manchester City também procurava voltar às vitórias na Premier League após o empate recente com o Brighton e Pep Guardiola tinha um problema defensivo: Matheus Nunes, Gvardiol, Rúben Dias e John Stones estavam todos indisponíveis, com o treinador espanhol a lançar Khusanov e o jovem Max Alleyne como centrais, com Rico Lewis e Nathan Aké nas laterais.
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Numa primeira parte sem golos, mas muito dividida e com períodos de maior superioridade das duas equipas, o Manchester United poderia ter inaugurado o marcador logo nos instantes iniciais com um cabeceamento de Harry Maguire à trave na sequência de um canto (3′). Os red devils tiveram um golo anulado à passagem da meia-hora, com Amad Diallo a ser apanhado em fora de jogo depois de contornar Donnarumma (33′), e o mesmo aconteceu com Bruno Fernandes logo a seguir, que finalizou após deixar o guarda-redes e Aké no chão, mas estava em posição irregular (41′). Ao intervalo e com tudo empatado, apesar de Max Alleyne ter visto Senne Lammens roubar-lhe o golo com uma boa defesa (37′), as melhores oportunidades pertenciam mesmo ao Manchester United.
Pep Guardiola mexeu logo ao intervalo e trocou Max Alleyne e Phil Foden por Nico O’Reilly e Rayan Cherki, colocando Nathan Aké como central e procurando dar solidez a uma defesa que esteve sempre algo desconfortável na primeira parte. A lógica do jogo manteve-se, com as duas equipas a dividirem períodos de maior ascendente e os red devils constantemente mais perigosos — ao ponto de Casemiro ter falhado na cara de Donnarumma depois de o guarda-redes italiano defender um bom remate de Amad Diallo (57′).
Contra-ataque exímio e LOUCURA em Old Trafford ???? Mbeumo
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Rico Lewis adormeceu, mas Dorgu não ????♂️
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Donnarumma ainda defendeu mais um remate perigoso de Mbeumo (63′), mas tantas vezes o cântaro foi à fonte que acabou mesmo por partir. Já depois da hora de jogo, na sequência de um contra-ataque letal, Bruno Fernandes conduziu e abriu em Mbeumo, que atirou cruzado para abrir o marcador (65′). Michael Carrick reagiu à vantagem com uma substituição, trocando o mesmo Mbeumo por Matheus Cunha, e os red devils conseguiram mesmo voltar a marcar por intermédio de Patrick Dorgu e após assistência do avançado brasileiro recém-entrado (76′).
Amad Diallo ainda acertou no poste (90′), Mason Mount marcou nos descontos mas também estava em fora de jogo (90+2′) e já nada mudou até ao fim. O Manchester United venceu o Manchester City em Old Trafford e voltou às vitórias depois de quatro jogos seguidos sem ganhar, deixando ainda os citizens com a possibilidade de perderem o segundo lugar para o Aston Villa e ficarem a nove pontos da liderança do Arsenal.
M̶a̶s̶o̶n̶ ̶M̶o̶u̶n̶t̶ ̶a̶p̶l̶i̶c̶a̶ ̶o̶ ̶t̶e̶r̶c̶e̶i̶r̶o̶… ou não ????♂️
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