O comediante israelita Guy Hochman foi detido e interrogado durante cerca de seis horas após chegar ao aeroporto internacional de Toronto, no Canadá, na segunda-feira. A detenção ocorreu no seguimento de uma denúncia de uma organização pró-Palestina, que o acusou de crimes de guerra e de “incitamento ao genocídio” em Gaza.
A denúncia foi feita pela Hind Rajab Foundation, uma organização sediada na Bélgica que procura responsabilizar os militares israelitas por crimes contra a humanidade e “alcançar justiça para as vítimas do genocídio em Gaza”. Segundo o jornal britânico The Guardian, a organização apresentou uma pasta de 40 páginas às autoridades canadianas sobre Guy Hochman. Os grupos Canadian Lawyers for International Human Rights e Legal Centre for Palestine também se juntaram à queixa-crime.
A organização escreveu na rede social X que o principal argumento contra Hochman é o seu papel sistemático e público na incitação ao genocídio contra os palestinianos, “através de performances, redes sociais e propaganda ligada aos militares que desumaniza toda uma população e glorifica a violência em massa”. A Hind Rajab Foundation considera que a conduta do comediante é criminosa ao abrigo do direito internacional e da própria lei dos Estados Unidos, para onde Hochman viaja a seguir.
???????? On the detention of Guy Hochman in Canada and our filing against him in the U.S.
_____???????? Canada:
Yesterday, Guy Hochman was detained and interrogated for 6 hours upon arrival in Canada following HRF filings and the submission of our evidence dossier. According to Israeli… pic.twitter.com/wYkWjU29G0
— The Hind Rajab Foundation (@HindRFoundation) January 20, 2026
Numa outra publicação, a organização escreveu que “a retórica genocida não é arte, não é liberdade de expressão e não está protegida pela lei canadiana” e que “não há refúgio seguro para aqueles que são cúmplices das atrocidades de Israel”. A Hind Rajab Foundation mostrou ainda o momento em um dos seus advogados entregou um pedido urgente à CBSA (Agência de Serviços de Fronteiras do Canadá) no aeroporto internacional de Toronto, solicitando o impedimento da entrada de Guy Hochman no país.
A pasta que a organização entregou às autoridades canadianas inclui vários vídeos e fotografias que Hochman publicou nas redes sociais onde alegadamente apela ao “assassinato em massa e o extermínio dos palestinianos” e declarações feitas durante o período em que trabalhou com as forças armadas israelitas e em espetáculos, alguns transmitidos online.
De acordo com a Hind Rajab Foundation, o comediante defendeu o uso de armas nucleares contra Gaza, celebrou a morte de civis e apelou à fome, à deslocação e à punição coletiva dos palestinianos. Apelou ainda à destruição de locais religiosos, chegando a afirmar que “nenhuma mesquita permanecerá em Gaza”. O documento procura também apresentar evidências do apoio de Hochman a atos de violência sexual e tortura cometidos contra detidos palestinianos.
O comediante israelita confirmou a detenção numa publicação na rede social X, onde diz que o tentaram impedir de entrar no Canadá e de se apresentar à comunidade israelita num espetáculo mas, depois de seis horas, conseguiu. “E enquanto eles gritavam “Palestina livre” entre si com -10 graus, nós aquecíamos com risos — 400 israelitas lá dentro. É assim que se sente a vitória”, escreveu.
הם ניסו ממני להיכנס לקנדה, אבל אחרי 6 שעות עיכוב, נכנסתי.
הם ניסו למנוע ממני להופיע מול הקהילה הישראלית, הופעתי.
ובזמן שהם המשיכו לצעוק לעצמם פרי פלסטיין במינוס 10 מעלות, אנחנו התחממנו מצחוק 400 ישראלים בפנים. ככה מרגיש ניצחון ???????? pic.twitter.com/QeN9QbsV86— גיא הוכמן (@HochmanGuy) January 20, 2026
De acordo com o Times of Israel, Guy Hochman foi libertado após a intervenção do consulado israelita. Um porta-voz da Agência de Serviços de Fronteiras do Canadá recusou responder a perguntas sobre o caso, mas mais tarde afirmou em comunicado que os estrangeiros que entram no país podem ser sujeitos a uma “inspeção secundária” e que “em alguns casos, a inspeção pode demorar mais tempo devido à recolha de informações através de interrogatório”.
Foi também apresentada uma queixa-crime contra Hochman nos Estados Unidos, que ia aterrar em Nova Iorque no dia seguinte para um espetáculo ao vivo. “Todos os países do mundo têm o dever legal de procurar e punir todos os criminosos de guerra e genocidas dentro das suas fronteiras, e os Estados Unidos não são exceção”, disse Jake Romm, representante da Hind Rajab Foundation nos EUA, citado pelo The Guardian.