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Ventura na terra onde vive Seguro à procura do Zé Povinho e de alguém com quem debater

Este artigo tem mais de 6 meses

Ventura fez uma arruada nas Caldas da Rainha numa altura em que se sente a falar sozinho. Avisa adversário que está isto é "uma campanha e não um desfile" e afasta-se das elites ao lado do Zé Povinho.

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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

André Ventura sente-se de volta aos tempos em que falava sozinho, ninguém lhe respondia e fazia campanha à procura de protagonismo. Na terra onde vive (e venceu) António José Seguro, nas Caldas da Rainha, insistiu nas críticas ao adversário por não estar disponível para debater além de um frente a frente e acusou-o de estar a fazer um “desfile“.

O candidato a Belém vai tentando meter-se com o rival de todas as formas, começou por colocar na própria voz um movimento das redes sociais (“Seguro seguramente será a mesma coisa”) e ao passar em frente à sede de Seguro, onde se lia em letras garrafais “Caldas vota Seguro”, sugeriu que “Caldas vai ser Ventura”.

“Acho que as pessoas começam a saber que António José Seguro será exatamente o mesmo que todos os outros fizeram e querem uma mudança”, atirou o presidente do Chega, em declarações aos jornalistas, recuperou o tema dos debates para reiterar que Seguro “tem medo” e “não tem nada para dizer”. Assumiu o desafio de mostrar que o adversário é “uma pessoa sem ideias nenhumas, uma pessoa que está na mão do sistema de interesses nacional, sobretudo no sistema de interesse bipartidário PS e PSD, uma pessoa que não tem nada a acrescentar”.

Mas quis recordar por mais do que uma vez que parece estar a correr sozinho em pista: “Uma campanha é entre duas pessoas. Por isso é que se chama segunda volta, é para que os dois candidatos mais votados disputem entre si ideias, convicções, o que é que querem”, insistiu, sugerindo que “geralmente a História de Portugal mostra que quando desprezamos o povo, o povo não gosta e o povo responde”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A tentar ganhar pedalada até Belém, e questionado sobre a entrada na segunda volta com resultados de sondagens desfavoráveis, Ventura desvalorizou, dizendo que estava consciente (e chegou a dizê-lo) que na segunda volta iam “juntar-se todos contra” si e “todos contra aquele que no fundo é o único que quer fazer mudanças no sistema”. “Mas esta é toda uma nova luta que vai começar agora”, vincou.

“Agora, é preciso que o candidato que está do outro lado perceba que é uma campanha e não um desfile. E, portanto, é um mau sinal quando passa o tempo todo sem aceitar debate, sem aceitar ser questionado, sem aceitar responder. É difícil fazer uma campanha assim.”

Ventura ainda acrescentou que Seguro pode não responder às suas perguntas e desafios, mas terá de responder no debate. “Provavelmente vocês [jornalistas] vão ficar sem resposta. Eu vou ficar sem resposta também. E vamos continuar nisto até ao fim da campanha. O que não abona muito a democracia.”

No mesmo sentido, Ventura trouxe a debate a notícia que deu conta que “políticos acumulam duas pensões vitalícias” para explicar que é por situações como a de Armando Vara que pretende mudar a Constituição, lembrando que Seguro o acusou disse mesmo. “Mas parece que estou a falar sozinho e parece que sou só eu que o quero fazer. Já o António José Seguro, se calhar, tem muita gente na campanha dele que está a receber subvenções vitalícias e é por isso que não se quer comprometer com isso. Mas era um bom tema e era uma boa pergunta para lhe fazer. Concorda ou não que políticos e antigos titulares de cargos públicos continuem a receber subvenções vitalícias?”

Antes de terminar a arruada, mesmo a favor do discurso de Ventura, a estátua do Zé Povinho junto a Bordalo Pinheiro, para garantir que é “com o povo” que vai ganhar — a dar seguimento à versão das castas contra os portugueses comum. “É o símbolo do povo, é com estes que vamos ganhar as eleições. Não queremos as elites que andam atrás deles. É com o povo que vamos mudar Portugal.”

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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