A juíza federal Margaret Garnett afastou esta sexta-feira a possibilidade de Luigi Mangione ser condenado à morte no julgamento sobre assassinato de Brian Thompson, CEO da seguradora UnitedHealthcare. Uma decisão, ainda assim, passível de curso — e mesmo que este seja rejeitado, o acusado, de 27 anos, continua a enfrentar uma eventual pena de prisão perpétua.

Mangione foi ouvido esta sexta-feira em Manhattan sobre a acusação federal, que lhe imputava dois crimes de perseguição e um crime de homicídio qualificado por ter sido cometido durante outros “crimes de violência”. Na opinião dos procuradores, essas acusações de perseguição seriam o requisito para o agravamento do homicídio, que poderia levar a uma condenação à morte.

A juíza, porém, discordou da posição da acusação. Segundo a emissora ABC, Garnett argumentou que a perseguição não pode ser considerada necessariamente “um crime de violência“, já que esta definição envolve, por definição, o uso da força. E, continuou, o crime de perseguição pode ser, em teoria, cometido sem usar força física. As acusações de posse de arma que Mangione enfrentava também caíram do processo por decisão da magistrada.

Apesar da pena capital ter sido afastada, o processo penal na justiça federal e estadual prossegue e pode mesmo levar a que, caso seja considerado culpado, Mangione, que sempre se declarou inocente, seja condenado a prisão perpétua. Ainda assim, todas estas decisões podem ser alvo de recurso, noticiou a Associated Press. Se a acusação quiser manter o pedido de pena de morte para Mangione, tem de recorrer nos próximos 30 dias.

Apesar da derrota para os procuradores, a decisão trouxe-lhes também uma pequena vitória. A defesa requereu ao tribunal, na última audiência, para que afastasse a arma e o diário encontrados na mochila do jovem como provas devido à falta de mandado judicial de busca. No entanto, Margaret Garnett argumentou que a revista se encaixava em várias exceções à necessidade de obtenção de um mandato de busca.

Mangione volta para mais uma audiência em tribunal após a exibição de provas da acusação que defesa tenta anular

A sessão de escolha do júri do processo federal está marcada para o próximo dia 8 de setembro e prevê-se que a primeira audiência de julgamento comece só no dia 13 de outubro. Para o processo da justiça do estado de Nova Iorque, porém, ainda não há qualquer data prevista.