John Eric Spiby foi notícia em 2010 por ter ganho a lotaria britânica com um prémio de 2,4 milhões de libras (ao câmbio da altura, cerca de 2,8 milhões de euros). Agora volta a sê-lo, mas por ter sido condenado a 16 anos e meio de prisão por ter montado um negócio de falsificação de medicamentos, de escala industrial, que movimentava largos milhões, anunciaram as autoridades britânicas esta semana

Recorrendo ao esquema montado, foi possível, por exemplo, produzir milhões de comprimidos falsificados, que acabariam a ser vendidos mais tarde como Valium, medicamento utilizado no tratamento da ansiedade, espasmos musculares, convulsões e sintomas de abstinência alcoólica. Tratou-se da maior operação do género alguma vez feita pela polícia britânica, de acordo com informação do tribunal de Bolton, noticiou o jornal The Guardian.

O homem de 80 anos, considerado o líder do esquema, negou durante o julgamento, porém, qualquer envolvimento, mas o juiz Clarke KC considerou provado que John Eric Spiby forneceu as instalações, na sua casa, ajudou a adaptá-las e adquiriu máquinas na ordem dos milhares de euros para o fabrico de comprimidos. “Apesar do prémio da lotaria, manteve uma vida de crime para lá da sua idade de reforma”, afirmou durante a leitura da sentença.

A habitação do homem “aparentemente calma e numa área rural” era o local onde chegavam as substâncias para o fabrico de comprimidos.

O tribunal britânico deu ainda como provados crimes como posse de armas de fogo, posse de munições e obstrução à justiça, refere o mesmo jornal.

No âmbito da mesma operação, desecadeada em 2020, também o filho de John Eric Spiby, John Colin Spiby, tinha sido condenado a uma pena de 9 anos de prisão por crimes relacionados com este esquema em 2024. Nessa altura, foram também condenados Lee Drury e Callum Dorian, a nove anos e nove meses e a doze anos de prisão, respetivamente.

*Editado por Carlos Diogo Santos

[Esta é a história de como dezenas de portuguesas se juntaram a mulheres de vários outros países e se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Recrutadas numa escola de yoga em Lisboa, muitas acabaram em casas de massagens eróticas ou a serem filmadas em cenas de sexo e orgias. “Os segredos da seita do yoga” é o novo Podcast Plus, do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]