O Mercedes Classe S é um veículo incontornável entre as berlinas de luxo, apesar do domínio no sector que deteve desde o início ter sido “roubado” pela BMW em 2024 e 2025. É talvez por isso que a Mercedes se prepara para passar a oferecer um modelo melhorado nas áreas que os clientes mais valorizam. Para recuperar a primazia que já foi sua, a marca da estrela decidiu refrescar a mais recente geração do Classe S, a W223, actualizando-a de modo a torná-la mais interessante para os potenciais clientes, apesar da vantagem da BMW nos últimos dois anos se dever sobretudo a ter vencido a batalha entre as versões eléctricas, com o i7 a ultrapassar o EQS.

Exteriormente, o novo Classe S não sofreu grandes grandes alterações — a grelha é 20% maior e os grupos ópticos adoptam agora a tecnologia Digital Light, o que significa que cada farol possui 1,3 milhões de espelhos microscópicos para modular o feixe de luz —, com a Mercedes confiante que a estética é um dos pontos fortes da sua berlina, opinião que já não se mantém em relação à versão a bateria EQS, que a marca pretende alterar, colando-a às formas da versão com motores a combustão. Já por dentro, este topo de gama da marca germânica recebeu uma série de melhorias, a começar por um tablier similar ao que exibe o EQS, com três ecrãs ligados por zonas a negro que dão a impressão de se tratar de um display único e contínuo a toda a largura.

9 fotos

Mais importante do que adopção de mais e maiores ecrãs é o facto de o condutor passar a usufruir dos serviços de um MBUX com comandos por voz mais evoluídos e eficientes, uma vez que o sistema passou a recorrer à tecnologia do Google Gemini com inteligência artificial, do Bing da Microsoft e do ChatGPT4.0. A nova berlina alemã continua a oferecer um espaço interior generoso na carroçaria normal, com a versão longa a ser 11 cm mais comprida, com esta distância a beneficiar em exclusivo quem se desloca no banco traseiro.

As principais novidades introduzidas pelo renovado Classe S encontram-se no compartimento do motor, com destaque para o 4.0 V8 a gasolina, em que os engenheiros da marca realizaram uma série de modificações que os clientes mais exigentes (ou conhecedores) certamente apreciarão. A cilindrada mantém-se nos 3982 cc, mas a cambota muda radicalmente, trocando a distribuição dos moentes de em forma de “cruz” para “plana”, ou seja, as bielas deixam de estar separadas por ângulos de 90º e passam a ter 180º entre si.

As cambotas planas são frequentes em superdesportivos, como os Ferrari, com os motores que a utilizam a caracterizarem-se por não necessitar dos habituais contrapesos para equilibrar o seu funcionamento. Isto torna-a mais leve e capaz de levar o V8 a subir mais rapidamente de rotação e até elevar o regime máximo, potencialmente a atingir uma potência superior. Quase tão importante quanto o motor ser mais rápido e potente, é o facto de a nova ordem de explosões do V8 tornar a mecânica mais eficiente e produzir um ruído mais estridente que, tradicionalmente, é apontado como mais emocionante. Embora a potência do Classe S 580 4Matic suba de 503 cv para 537 cv, o novo 4.0 V8 tem decididamente mais trunfos na manga do que apenas os cavalos adicionais.

8 fotos

Contudo, esta arquitectura de motores traz consigo outras características, aceitáveis para modelos da Ferrari, mas que não são as ideais para uma berlina de luxo como o Classe S e que têm de ser “civilizadas”. É o caso de vibrarem mais (devido aos pistões se moverem aos pares, ainda que em tempos diferentes), o que o construtor deverá conseguir resolver com apoios de motor mais sofisticados. Outra característica dos motores com cambotas planas reside numa maior falta de potência a baixo regime, o que explica a presença de um sistema mild hybrid a 48V (mHEV), que compensa a falta de dinamismo do V8 em rotações mais baixas.

Na gama do Classe S, acima do S 580 4Matic, é possível encontrar o S 580e 4Matic, o híbrido plug-in (PHEV) que reforça o motor a combustão com um eléctrico com 163 cv. Este, por sua vez, é alimentado por uma bateria com 22 kWh de capacidade que assegura 103 km em modo eléctrico. A questão é que a denominação do modelo pode induzir em erro, uma vez que este “580” PHEV não monta o 4.0 V8, mas sim um motor com seis cilindros em linha a gasolina com três litros de cilindrada (3.0 L6) e 449 cv, para no total colocar 585 cv à disposição de quem conduz.

As versões a gasolina mais acessíveis da gama são o S 450 4Matic que extrai 381 cv do 3.0 L6 e que é apoiado pelo sistema mHEV a 48V com 23 cv, destinados a reduzir o consumo e a facilitar as reacelerações. Existe ainda o S 450e, outro PHEV, mas desta vez com uma potência total de 435 cv, que monta um 3.0 L6 com 326 cv completado por uma unidade eléctrica com 163 cv e um acumulador de 22 kWh que percorre 118 km em modo EV. A seguir surge o S 500 4Matic, com 449 cv a partir do mesmo seis cilindros da marca, recorrendo igualmente ao mHEV 48V com 23 cv. A Mercedes mantém ainda a oferta de versões diesel, com o S 350d 4Matic e o S 450d 4Matic. Ambos montam o mesmo seis cilindros alemão a gasóleo com cilindrada similar à versão a gasolina, o primeiro a fornecer 313 cv e o segundo 367 cv, sempre ajudados pelo sistema mHEV a 48V de 23 cv.